A família do engenheiro falecido em Basra aguarda o corpo Notícias da Índia

NOVA DELHI: Para Kumkum Sinha (50), esposa do engenheiro naval Deonandan Prasad Singh (55), a vida sempre foi medida por partidas e retornos. Durante as mais de três décadas de carreira naval do marido, ela se acostumou ao ritmo de viagens de meses de duração, retornos curtos para casa e telefonemas encorajadores que diminuíam a distância entre o oceano e o lar.

A família do engenheiro falecido em Basra aguarda o corpo

Mas nunca, diz ela, poderia ter pensado que o mar traria tais notícias.

Singh, engenheiro-chefe adicional a bordo do petroleiro Safesea Vishnu, com bandeira das Ilhas Marshall, morreu no início desta semana quando o navio encalhou perto da cidade portuária de Basra, no sul do Iraque. O petroleiro partiu do Terminal Petrolífero de Basra com uma carga de petróleo e deveria navegar para Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, antes de seguir para Singapura.

Porém, para a família, a tragédia se desenrolou longe das águas tempestuosas onde ocorreu o ataque. Em sua casa na Índia, a dor se mistura à incerteza enquanto esperam a chegada do corpo de Singh.

“Descobrimos isso ontem por volta das 10h30 ou 11 da manhã”, lembra Kumkum. “A última vez que conversamos foi anteontem. Ele estava absolutamente bem.”

A conversa, disse ela, foi rotineira em todos os sentidos – uma breve conversa ao telefone durante um jantar em família.

“Conversamos sobre comida e coisas do dia a dia. Nada fora do comum. Ele parecia normal”, disse ela.

Para uma família que viveu durante décadas nas condições incertas da vida marinha, essas conversas faziam parte da rotina habitual. Singh passou mais de 30 anos trabalhando em navios internacionais, gerenciando rotas marítimas em todo o mundo.

“Em todos os seus 30-32 anos no mar, nunca havíamos experimentado algo assim”, disse Kumkum Sinha. “Houve tempestades e viagens difíceis, mas nunca uma situação como esta. Nunca um ataque.”

Sua filha Komal Singh (22), estudante do terceiro ano do MBBS em uma faculdade de medicina em Nagpur, disse que a família inicialmente recebeu informações fragmentadas sobre o incidente antes de finalmente saber da morte de Singh.

“Eles nos disseram que todos estavam salvos”, disse ela. “Depois falaram que meu pai pulou na água, tentaram ressuscitá-lo, mas ele não sobreviveu”.

A família afirma que a demora em contactar a administração do navio aumentou o seu sofrimento.

“Estamos ligando para eles desde a manhã. Eles diziam que estavam verificando e nos contariam mais tarde”, disse Komal. “Mas a essa altura as notícias já tinham começado a aparecer na Internet. Vimos coisas na Internet, mas ninguém nos disse claramente o que realmente aconteceu”.

De acordo com fontes marítimas, o petroleiro transportava dezenas de milhares de toneladas de petróleo quando foi alegadamente atingido por uma lancha que transportava explosivos durante uma transferência entre navios perto da zona de exportação de petróleo de Basra, causando um incêndio.

Havia 28 tripulantes a bordo do navio, incluindo 16 cidadãos indianos e 12 cidadãos filipinos. Além de Singh, todos os outros foram resgatados por navios próximos e autoridades navais.

Para a família Singh, contudo, a tragédia também levantou questões preocupantes sobre a decisão de trabalhar na região no meio de tensões crescentes na Ásia Ocidental.

“Quando todos sabiam que as tensões estavam aumentando ali, por que a empresa enviou um navio para a região?” perguntou Kumkum Sinha. “A carga não poderia ter esperado alguns dias? Era tão urgente que o navio teve que partir nessa hora?”

Ela disse que Singh nem deveria ter navegado naquele momento.

“Ele já havia se aposentado e esperava-se que fosse transferido para uma missão costeira”, disse ela. “Ele não deveria ir para o mar imediatamente. Então por que ele foi enviado para lá?”

Komal disse que a família pediu a Singh que reconsiderasse a permanência na região.

“Quando a guerra começou, dissemos a ele para voltar”, disse ela. “Mas ele disse que não haveria ataque a navios indianos ou da ASEAN. Foi o que lhe disseram.”

Como as dúvidas permanecem, a família agora está focada em levar Singh para casa.

A Direção-Geral de Navegação da Índia e a Embaixada da Índia em Bagdá estão em coordenação com as autoridades iraquianas e a empresa gestora do navio para providenciar a repatriação de seus restos mortais.

Para Komal, a espera foi emocionalmente exaustiva. Seu irmão mais novo, Shitiz Singh (19), que está cursando MBA nos Estados Unidos, está atualmente no Japão para um de seus projetos acadêmicos. Espera-se que ele chegue a Delhi na noite de sexta-feira para se juntar à família enquanto aguardam novas atualizações.

Enquanto isso, a família passa por um labirinto de procedimentos oficiais enquanto espera que seu corpo seja devolvido à Índia.

Esperar é doloroso para Komal. “Estamos apenas pedindo clareza. Queremos saber exatamente o que aconteceu e quando meu pai será levado para casa.”

Por trás de preocupações mais amplas sobre a segurança marítima e as tensões regionais esconde-se uma realidade mais calma: a vida das famílias que esperam em casa enquanto os seus entes queridos trabalham no estrangeiro.

Para Kumkum Sinha, décadas de espera sempre terminavam com alívio quando o marido voltava do mar. Não desta vez.

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