Entrevista HT: Problemas econômicos do Irã devido a sanções ocidentais injustas, afirma Mohammad Fatali, embaixador do Irã | Notícias da Índia

Nova Deli

A República Islâmica do Irão, como sistema baseado na vontade e no voto do povo, reconhece o protesto pacífico como um direito legítimo dos seus cidadãos, disse Fathali.

O governo do Irão está a responder aos protestos públicos sobre a inflação com um diálogo que visa encontrar soluções práticas para os problemas económicos causados ​​por “sanções injustas impostas pelo Ocidente”, disse na quinta-feira o embaixador iraniano, Mohammad Fathali.

Na sua primeira entrevista a um jornal indiano desde que assumiu o cargo no mês passado, Fathali disse que a Índia e o Irão procuram soluções práticas para continuar a desenvolver o porto estratégico de Chabahar para que este não se torne “refém das decisões de terceiros países”. Ele também destacou o importante papel que a Índia pode desempenhar no processo de paz em Gaza. Trechos editados:

P. Como está o governo iraniano a responder aos protestos em Teerão e em várias outras cidades? Quais são as razões destes protestos?

Resposta: O governo respondeu aos protestos observados em Teerão e em algumas outras cidades com uma abordagem responsável e orientada para o diálogo. Deve sublinhar-se que as exigências económicas e profissionais são um fenómeno natural e comum em todos os países, e a República Islâmica do Irão, enquanto sistema baseado na vontade e no voto do povo, reconhece o protesto pacífico como um direito legítimo dos seus cidadãos.

O Presidente Masoud Pezeshkian enfatizou claramente a necessidade de ouvir as vozes do povo e instruiu as autoridades a seguirem o caminho do diálogo e da cooperação, compreendendo as reivindicações legítimas dos manifestantes. Estas reuniões foram pacíficas e as autoridades, no âmbito da lei, estão a gerir a situação e a procurar soluções práticas para reduzir os problemas existentes.

Quanto às razões destes protestos, o factor mais importante são as dificuldades económicas, cuja causa profunda são as sanções injustas e de longa data impostas pelo Ocidente ao povo iraniano. Estas sanções afectaram directamente os meios de subsistência das pessoas e criaram dificuldades. No entanto, o nosso povo sábio e resiliente lidou com esta pressão e o número de protestos permaneceu limitado.

O povo iraniano tem suportado estas condições com paciência, força e unidade, e o governo está a fazer todos os esforços através da boa governação, reformas económicas e capacidade interna para reduzir os efeitos destas pressões e responder às exigências do povo.

P. Como irá o novo orçamento divulgado pelo Presidente Pezeshkian abordar a inflação e o aumento do custo de vida?

Resposta: O novo orçamento divulgado pelo governo sob a liderança do Presidente Pezeshkian foi concebido com os objectivos principais de conter a inflação, controlar o aumento do custo de vida e melhorar os meios de subsistência. A administração Pezeshkiyan está focada na organização da política económica, na prestação de apoio direcionado aos vulneráveis, na gestão da despesa pública e no fortalecimento da produção interna para reduzir a pressão económica sobre a população.

Deve-se notar, no entanto, que os oponentes do Irão tentam constantemente exagerar os problemas e ignorar as conquistas, a fim de apresentar uma imagem distorcida e inflacionada da situação no país.

Embora o Irão, apesar das sanções económicas mais severas, tenha feito progressos significativos e notáveis ​​em vários domínios, incluindo ciência e tecnologia, saúde, indústrias baseadas no conhecimento, infra-estruturas e capacidade local. Nos últimos dias, assistimos à descoberta de 12 novos medicamentos para o tratamento do cancro e ao lançamento simultâneo de três satélites no Irão.

Com base nestas oportunidades e com uma abordagem realista e orientada para as reformas, o governo de Pezeshkin pretende controlar a inflação, reforçar a estabilidade económica e preparar o caminho para uma melhoria sustentável nas condições de vida das pessoas.

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P. Dado que as sanções da ONU e do Ocidente afectaram a economia do Irão, irá o Irão acelerar agora as negociações sobre a questão nuclear?

R: O Irão sempre apoiou o diálogo e a negociação como uma forma lógica e diplomática de resolver disputas, e esta abordagem tem sido uma política consistente e de princípios da política externa do Irão. O Irão demonstrou repetidamente que acredita num envolvimento construtivo e em negociações sérias, e encetou negociações com boa vontade.

No entanto, a experiência passada mostra que, embora o Irão tenha avançado através do diálogo e das negociações nucleares, alguns dos seus parceiros não só renegaram os seus compromissos, como minaram o processo ao impor novas sanções, pressão política e até acções hostis. Tal comportamento minou a confiança e criou sérios problemas ao processo de negociação.

Apesar disso, a posição do Irão permanece clara: estamos prontos para o diálogo e as negociações, mas essas negociações devem ocorrer no quadro do respeito mútuo, do verdadeiro compromisso e do reconhecimento dos direitos legítimos do povo iraniano.

P. Quais são as prioridades do Irão para as relações com a Índia em 2026 e para a expansão do comércio, que tem sido afectado por vários factores nos últimos anos?

Resposta: As relações Irão-Índia têm profundas raízes históricas, culturais e civilizacionais e sempre foram formadas com base no respeito mútuo e em interesses comuns. A principal prioridade do Irão é reforçar a cooperação comercial e económica e restaurar os volumes comerciais para um nível que corresponda às capacidades reais dos dois países.

No comércio, o Irão enfatiza a expansão da cooperação em energia, petroquímica, transportes, portos, agricultura, produtos farmacêuticos, tecnologia e empresas científicas. Os projectos conjuntos de infra-estruturas – especialmente o porto de Chabahar e o seu papel na ligação da Índia à Ásia Central, ao Afeganistão e à Rússia – continuam a ser um dos principais pilares da cooperação bilateral, e o Irão está pronto para avançar com estes projectos a um ritmo mais rápido.

Para além da cooperação económica e comercial, o Irão está empenhado em expandir a cooperação com a Índia nos intercâmbios culturais, científicos, académicos, turísticos e interpessoais. As perspectivas do Irão para as relações futuras com a Índia são de longo prazo, equilibradas e baseadas em interesses comuns, e 2026 poderá ser um marco importante para o aprofundamento e a diversificação desta cooperação.

P. Como é que a Índia e o Irão estão a lidar com a questão do porto de Chabahar, que foi isento de sanções dos EUA durante apenas seis meses?

Resposta: O Irão e a Índia consideram o Porto de Chabahar um projecto estratégico e de longo prazo que vai além das considerações políticas e de curto prazo e desempenha um papel importante na conectividade regional e nos interesses comuns de ambos os países. Uma isenção de seis meses das sanções não pode servir de base para um planeamento sustentável, e a abordagem do Irão consiste em continuar a cooperação sem a influência de pressões externas unilaterais.

Ao mesmo tempo, Teerão e Nova Deli, através do diálogo e da estreita coordenação, procuram soluções práticas para continuar o desenvolvimento de Chabahar e acreditam que este projecto não deve ficar refém das decisões de países terceiros.

P. Qual o papel que o Irão vê a Índia desempenhando no processo de paz de Gaza?

R: A Índia, como nova potência mundial, pode desempenhar um papel muito importante e influente na arena internacional, particularmente no processo de paz de Gaza. Dada a sua posição global como voz do Sul Global, as suas amplas relações com vários intervenientes e a sua vasta experiência na promoção da paz e da estabilidade em várias partes do mundo, a Índia tem um potencial considerável neste domínio.

Do ponto de vista do Irão, a principal prioridade em Gaza deveria ser o fim imediato dos ataques, o fim da matança de civis, a prestação de ajuda humanitária e o apoio aos direitos do povo palestiniano. Acreditamos que países como a Índia podem desempenhar um papel muito construtivo na resolução da questão palestiniana.

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