Wagner Mora fez história na manhã desta quinta-feira ao ser indicado ao Oscar na categoria Ator Principal por sua atuação no filme de 2025 “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Philo.
Essa indicação histórica faz de Mora o primeiro ator brasileiro a ser indicado ao Oscar nesta categoria.
No filme, Moura interpreta Armando, um ex-professor que se esconde para tentar proteger seu filho durante a ditadura militar brasileira na década de 1970.
Se vencer na cerimônia do dia 15 de março, Mora será o primeiro brasileiro a ganhar um Oscar na categoria atuação.
Mora é a terceira brasileira indicada ao Oscar de atuação, juntando-se à dupla mãe e filha Fernanda Montenegro e Fernanda Torres – ambas indicadas por atuação em papel principal.
Montenegro foi a primeira brasileira indicada na categoria por seu papel como Isadora “Dora” Teixeira no filme “Estação Central”, de Walter Sales, de 1998. O prêmio acabou sendo concedido a Gwyneth Paltrow por sua atuação em “Shakespeare Apaixonado”.
Torres recebeu sua indicação ao Oscar por sua interpretação de Eunice Paiva em Ainda Estou Aqui, de 2024, dirigido por Silas. Um Oscar foi concedido naquele ano a Mickey Madison por seu trabalho em “Anora”.
A estrela de “Agente Secreto” já fez história duas vezes nesta temporada de premiações.
Ela ganhou o Globo de Ouro de atriz principal em filme de drama no início deste mês pelo thriller político, tornando-se a segunda brasileira e a primeira brasileira a levar para casa o prêmio Globo de atriz, depois de ganhar o Torres por “I’m Still Here” do ano passado.
O ator de 49 anos também ganhou o prêmio de ator no Festival de Cannes do ano passado, tornando-se o primeiro ator brasileiro a ganhar a homenagem.
A indicação de Mora ocorre um ano depois de “Ainda Estou Aqui” se tornar o primeiro longa-metragem brasileiro a ganhar o Oscar, vencendo na categoria longa-metragem internacional.
O filme “Orfeu Negro” de 1959 – que recontou a lenda de Orfeu e Eurídice no contexto do Rio de Janeiro dos anos 1950 e contou com um elenco em grande parte brasileiro – ganhou o Prêmio Internacional de Longa-Metragem no 32º Oscar como uma apresentação francesa e foi dirigido pelo diretor francês Marcel Camus.
“Agente Secreto” representa um retorno cinematográfico para o astro de “Guerra Civil” depois de uma década sem trabalhar em um filme brasileiro, disse ele ao The Times no ano passado. A brutal administração de direita do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, a pandemia da COVID-19 e os compromissos no exterior impediram-no de assumir o papel de chefe do executivo no seu país e na sua língua nativa.
Mendonça disse ao Philo Times que inicialmente ficou preocupado se Mora – depois de trabalhar fora do Brasil – trouxesse algum “Onde está meu trailer?” Atitudes que as pessoas pensam que existem em Hollywood. “Ele não fez isso”, disse o diretor. “Ele é inteligente o suficiente para se adaptar a qualquer projeto.”
Mesmo que a sua carreira tenha sido moldada por projetos politicamente carregados, Mora teve o cuidado de não deixar que esse elemento o definisse.
“Não quero ver um filme”, disse Mora. “Sinto-me atraído por coisas políticas, mas sou mais ator do que qualquer outra coisa.”






