Legisladores paraguaios aprovam acordo de defesa que permite presença militar dos EUA

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou na terça-feira um acordo de defesa que permite a presença temporária de militares e civis dos EUA em suas fronteiras, amplamente visto como uma vitória para o governo Trump, que busca fortalecer sua presença na América Latina.

O Acordo sobre o Estatuto das Forças, ou SOFA, foi aprovado por uma grande maioria de legisladores e aguarda agora a assinatura do Presidente Santiago Pena para entrar em vigor. Pena, um dos aliados mais próximos de Trump na região, deverá assinar o acordo nos próximos dias.

Entre os 80 deputados, este acordo foi aprovado por 53 votos a favor e oito contra e quatro ausentes. Quinze não estavam presentes para votar.

Assinado pelos dois países em Washington, em dezembro, o acordo estabelece um quadro jurídico para a presença das forças de segurança dos EUA no Paraguai para treinamento, exercícios conjuntos e assistência humanitária. Também permite que os Estados Unidos tenham jurisdição criminal sobre o seu próprio pessoal no país.

O acordo, aclamado como “histórico” pelo Departamento de Estado dos EUA e pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Ruben Ramírez Lizcano, foi aprovado pelo Senado paraguaio na semana passada, onde o debate foi polarizado por preocupações sobre potenciais violações da soberania.

Alguns legisladores argumentaram contra o acordo, citando uma disposição controversa que dizia que conceder imunidade às tropas estrangeiras de processos judiciais equivalia à extradição de pessoal diplomático.

“Acreditamos na cooperação internacional, mas acreditamos em Estados fortes, instituições respeitáveis ​​e uma verdadeira governação democrática”, disse o congressista independente Raul Benitez.

Apesar das críticas, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai apoiou o acordo, argumentando em dezembro que seu principal objetivo era fortalecer a cooperação entre os Estados Unidos e o Paraguai na luta contra o crime organizado internacional e o “terrorismo”. Esclareceu também que “não há possibilidade de instalação de bases militares norte-americanas” no Paraguai.

Washington também elogiou o SOFA, com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chamando-o de um “acordo histórico” que contribuirá para a formação bilateral e multilateral, a assistência humanitária, a resposta a catástrofes e outros interesses de segurança comuns.

A aprovação do SOFA ocorre num momento em que Washington procura expandir a sua influência na América Latina no âmbito da estratégia de segurança nacional da administração Trump, e num momento em que um sector da sociedade civil no Paraguai continua a levantar a sua voz contra ele.

O Serviço de Paz e Justiça, uma organização civil com presença na América Latina, afirmou num comunicado dias antes da votação final: “A segurança de um país não se constrói importando tropas ou mantendo agentes estrangeiros com imunidade diplomática”. O acordo, acrescentou, “não representa um avanço na segurança, mas a formalização de uma geopolítica de impunidade que mina os pilares da nossa dignidade nacional”.

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