Junta militar de Mianmar tem eleições controversas à sombra da China

Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026 – 18h05 WIB

VIVA – O governo da junta militar realizou eleições sucessivas que começaram em 28 de dezembro de 2025, após quase cinco anos de tomada do poder na sequência de um golpe de Estado que culminou em guerra civil. Em frente à assembleia de voto, que era vigiada por polícias armados, foi reproduzido repetidamente um alegre vídeo musical apelando às pessoas para participarem nas eleições. Mas em Yangon, uma das maiores cidades de Myanmar, a excitação é pouco visível.

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Esta votação é a primeira desde 2020 e a primeira vez nos últimos anos que a mídia internacional, incluindo telégrafo, obtenha acesso limitado. A junta militar promoveu as eleições como um caminho para a paz, a estabilidade e a “democracia ordenada”, após quase cinco anos de uma guerra civil brutal que destruiu a antiga colónia britânica.

No entanto, o clima no terreno está longe de ser optimista. Apenas um punhado de eleitores foi visto em Yangon e Mandalay – as duas maiores cidades sob controle militar. Esta condição contrasta com as eleições de 2020, quando longas filas de eleitores produziram uma vitória clara para Aung San Suu Kyi, a líder civil que foi deposta num golpe de Estado.

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“Não quero votar, mas tenho medo de não votar. Sinto-me presa”, disse a mulher de 32 anos, que não quis ser identificada.

“Se eu votar, sinto que estou traindo as minhas convicções. Se não votar, tenho medo de que o meu nome seja retirado e possa ser questionado mais tarde. Cada decisão é perigosa”, acrescentou.

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Um golpe militar em 2021 pôs fim a uma década de esperanças democráticas e mergulhou Mianmar num conflito que devastou a economia e desencadeou uma enorme crise social. A eleição, que foi realizada em três fases – de 28 de dezembro de 2025 a 25 de janeiro de 2026 – foi vista por muitos diplomatas e analistas ocidentais como uma farsa política destinada a dar à junta uma falsa legitimidade aos olhos do mundo.

No entanto, a junta não está sozinha. O apoio vem do seu aliado mais próximo, a China.

Mianmar partilha uma fronteira de cerca de 2.100 quilómetros com a China e está na “esfera de influência” de Pequim, tal como a Venezuela está na esfera de influência dos Estados Unidos.

A crescente instabilidade na região do Mekong ameaça os interesses económicos da China, enquanto a ilegalidade desenfreada nas regiões fronteiriças de Mianmar — algumas das quais estão ligadas à junta — afecta cada vez mais os cidadãos chineses e a imagem do governo de Pequim.

Outro lado

Pequim espera que estas eleições possam constituir um ponto de viragem. No entanto, o impacto de cinco anos de guerra abalou Mianmar até aos seus alicerces. Milhões de pessoas foram deslocadas e para aqueles que permaneceram, a vida tornou-se uma luta diária pela sobrevivência dentro e fora do campo de batalha.



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