À medida que pais e alunos entram em um novo ano letivo, há um tópico que muitas vezes passa despercebido: dinheiro.
A alfabetização financeira não envolve apenas números. Trata-se de desenvolver habilidades que moldarão as decisões futuras do seu filho, desde a compra do primeiro carro até o planejamento da aposentadoria.
Boas notícias? Você não precisa ser um especialista financeiro para ensinar essas lições. Comece com conceitos apropriados à idade e desenvolva a partir daí.
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Aqui está o que focar em cada estágio.
Ensino fundamental (6 a 12 anos): Ganhe dinheiro de verdade
As crianças pequenas entendem melhor o dinheiro quando podem vê-lo e tocá-lo. Este é o momento perfeito para introduzir a mesada – uma mesada regular que lhes ensina que o dinheiro não aparece magicamente. E uma vez que acabou, acabou.
Comece pequeno. Cinco dólares por semana são suficientes para uma criança de sete anos fazer escolhas sem sobrecarregá-la. Eles deveriam comprar aquela barra de chocolate agora ou economizar por três semanas para conseguir o conjunto de Lego que realmente desejam?
Este jogo de espera é importante. Ensina a gratificação adiada, que a pesquisa mostra estar ligada a melhores resultados financeiros mais tarde na vida. Quando seu filho economiza durante semanas para comprar aquilo que está de olho, ele aprende que grandes objetivos exigem paciência e planejamento.
Use um pote transparente ou um cofrinho para que as crianças possam literalmente ver seu dinheiro crescer. Torna a poupança tangível e satisfatória. Algumas famílias usam um sistema de três potes: gastar, economizar e compartilhar (para caridade ou doação de presentes). Isso introduz a ideia de que o dinheiro serve a muitos propósitos.
Deixe-os cometer pequenos erros também. Se o seu filho de 8 anos gasta toda a sua mesada em adesivos e se arrepende até quarta-feira, essa é uma lição de US$ 5 que pode economizar milhares de dólares mais tarde.
Ensino Médio (12 a 18 anos): Gerenciando Dinheiro no Mundo Real
Os adolescentes estão prontos para conceitos financeiros mais complexos. É quando você deixa de ensinar sobre dinheiro e passa a ensinar sobre dinheiro.
Abram uma conta bancária juntos. Ensine-lhes como funcionam os bancos. Diga-lhes que os bancos não apenas armazenam dinheiro, eles também são empresas que pagam juros para manter seu dinheiro lá e cobram juros quando você toma um empréstimo. Explique que os juros que você ganha sobre as poupanças costumam ser muito pequenos, enquanto os juros que você paga sobre as dívidas são muito mais altos.
Apresente o conceito de cartões de débito, mas explique como eles diferem dos cartões de crédito. Os cartões de débito gastam apenas a quantidade de dinheiro que você possui. Este é um bom momento para mostrar a eles como verificar os saldos das contas e controlar os gastos por meio de um aplicativo bancário.
Fale sobre desejos e necessidades. Seu filho adolescente precisa de sapatos escolares. Eles querem US$ 200 em sapatos de marca. Não se trata de dizer não. Trata-se de mostrar a eles as vantagens e desvantagens. “Se você quiser esses sapatos, terá que contribuir com US$ 100 de suas economias. Eles valem a pena?”
Se seu filho conseguir um emprego de meio período, ensine-o a verificar se está sendo pago corretamente. O site do Fair Work Ombudsman possui ferramentas fáceis para calcular taxas de bônus e níveis de salário mínimo para diferentes setores e faixas etárias. Um jovem de 16 anos que trabalha no varejo deve saber quanto dinheiro tem direito a ganhar.
Este também é o momento de apresentar o conceito de pagar primeiro a si mesmo. Quando o dinheiro entrar, a poupança aparecerá primeiro. Mesmo reservar 10% cria o hábito de ver a poupança como inegociável – não é a quantidade de dinheiro que sobra.
Recém-formados (18 anos ou mais): Construir uma base financeira básica
Os jovens que entram no mercado de trabalho enfrentam um novo cenário financeiro. Eles ganham mais dinheiro, mas também aumentam as despesas, como transporte, vida social e possivelmente aluguel.
Comece com super. Esta é a quantia de dinheiro que os empregadores devem reservar para a reforma dos seus empregados. Isto pode parecer irrelevante quando o seu filho tem 18 anos, mas um jovem que compreende cedo terá uma enorme vantagem.
Eis o porquê: crescimento composto. O dinheiro investido aos 18 anos tem mais de 40 anos para crescer. Mesmo pequenas quantias tornam-se significativas. Se você investir US$ 20 extras por semana no super a partir dos 18 anos, poderá ter pelo menos US$ 300.000 a mais quando se aposentar, graças aos retornos compostos. É um efeito bola de neve, onde o investimento da sua doação também começa a render dividendos.
Recomendo aplicativos de investimento, mas seja cauteloso. Aplicativos de investimento digital como CommSec Pocket e Stake tornam o investimento acessível com pequenas quantias de dinheiro. Permitem que os jovens comprem fundos diversificados, que são conjuntos de muitos investimentos diferentes, em vez de tentarem escolher ações individuais.
Explique a compensação básica: retornos potenciais mais elevados acarretam riscos mais elevados. As ações podem crescer mais do que as contas poupança, mas também podem perder valor rapidamente.
Ensine-lhes sobre o mercado de ações sem usar jargões. Ao comprar ações, você possui uma pequena parcela da empresa. Se a empresa tiver um bom desempenho, suas ações valerão mais. Caso contrário, suas ações poderão perder valor.
A diversificação – distribuir dinheiro por múltiplas empresas – reduz o risco de perder tudo se uma empresa falir.
As lições mais importantes
A educação financeira não envolve apenas dinheiro. Trata-se de tomar decisões, adiar a gratificação e compreender que cada escolha tem compensações. É uma habilidade de vida que você constrói ao longo do tempo, a cada conversa e a cada decisão.
Qual é a lição mais valiosa que você pode ensinar em qualquer idade? O dinheiro é uma ferramenta, não um objetivo. Dá-lhe escolha e segurança. Ensinar seus filhos a usar essa ferramenta com sabedoria é um dos maiores presentes que você pode dar a eles.
Comece essas conversas cedo. Torne-os normais. E lembre-se, você está ensinando tanto pela maneira como lida com o dinheiro quanto pelo que diz sobre ele. As crianças prestam atenção quando você compara preços, quando você fala em economizar para as férias, quando você decide que algo não vale a pena.
Angel Zhong é professor de finanças na Universidade RMIT. Este artigo apareceu pela primeira vez em The Conversation





