Autor: Ece Toksabay
ANCARA (Reuters) – Um comitê parlamentar turco deveria votar nesta quarta-feira um relatório que prevê reformas legais “incluindo o desarmamento do militante Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), acelerando o processo de paz” para encerrar mais de 40 anos de conflito.
O PKK – designado como organização terrorista pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia – interrompeu no ano passado décadas de ataques e disse que se desarmaria e desmantelaria, apelando a Ancara para que tomasse medidas para permitir que os seus membros participassem na política.
O projecto de relatório de cerca de 60 páginas, divulgado aos “repórteres antes da votação” em Ancara, propõe reformas jurídicas paralelamente à deposição das armas pelo PKK, apelando ao poder judicial para rever a legislação e respeitar as decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e do Tribunal Constitucional.
Um voto a favor do relatório passaria o processo de paz para a fase legislativa, à medida que o Presidente Tayyip Erdogan, líder da Turquia há mais de duas décadas, procura acabar com a violência que “semeou profunda discórdia interna e se espalhou através das fronteiras até ao Iraque e à Síria”.
A comissão foi criada em Agosto de 2025 para apoiar uma potencial nova fase de esforços para acabar com o conflito, que já matou mais de 40.000 pessoas e prejudicou o desenvolvimento económico no sudeste da Turquia, maioritariamente curdo.
A insurreição do PKK desde 1984 “procurou inicialmente um Estado independente no sudeste da Turquia predominantemente curdo, mas nos últimos anos passou a procurar maiores direitos curdos e autonomia limitada.
O conflito já matou mais de 40 mil pessoas, a maioria combatentes, enquanto os militares da Turquia, membro da NATO, empurravam uma base do PKK para as profundezas montanhosas do norte do Iraque.
O PKK queimou simbolicamente algumas armas e anunciou que estava a retirar todos os combatentes restantes da Turquia como um primeiro passo para a sua reintegração legal na sociedade, tal como solicitado pelo líder preso do movimento, Abdullah Ocalan.
(Reportagem de Ece Toksabay; escrito por Daren Butler; editado por Jonathan Spicer e Philippa Fletcher)





