O Brasil ultrapassou os EUA como maior produtor de carne bovina, aliviando as restrições à oferta global

Autores: Ana Mano e Peter Hobson

BARRETOS, Brasil (Reuters) – O Brasil ultrapassou os Estados Unidos como maior produtor mundial de carne bovina no ano passado, de acordo com estimativas do mercado, depois que o país sul-americano superou as previsões de produção em centenas de milhares de toneladas, aliviando as restrições de oferta global e ajudando a limitar um aumento acentuado nos preços da carne.

O Brasil já era o maior exportador de carne bovina, embarcando quase US$ 17 bilhões em carne em 2025, de acordo com dados comerciais do governo divulgados terça-feira. Os dados sobre a produção de carne bovina não estarão disponíveis até fevereiro, mas os analistas aumentaram recentemente as suas estimativas. Os agricultores estão a enviar mais animais para abate, lucrando com a elevada procura de exportação de países como a China e os EUA, onde a baixa oferta levou os preços da carne bovina a níveis recorde.

O aumento do abate geralmente leva a um período de baixa produtividade, pois os produtores retêm os animais para procriar e reconstruir rebanhos. Mas os ganhos de produtividade do Brasil poderão limitar ou mesmo impedir a recessão, dizem responsáveis ​​da indústria. Eles notaram que as fazendas inseminavam o gado mais rapidamente, engordavam-no mais rapidamente e abatiam-no mais cedo.

“Há dez anos, a idade média do gado abatido no Brasil era de cinco anos”, disse Vinicius Barbosa, gerente comercial responsável por dezenas de milhares de bovinos no confinamento da CMA em Barretos, cerca de 420 km ao norte de São Paulo. “Já são 36 meses e se aproxima rapidamente dos 24”, disse ele.

Mauricio Nogueira, chefe da consultoria de criação animal Athenagro, disse que a produção brasileira de carne bovina excedeu em muito sua previsão para 2025. A produção aumentou 4% este ano, enquanto ele previu um declínio de 2,7%. O aumento de cerca de 800 mil toneladas foi aproximadamente igual ao total das exportações anuais da Argentina, o quinto maior fornecedor mundial de carne bovina.

O Rabobank, que esperava que a produção de carne bovina do Brasil diminuísse em 2025, vê agora um aumento de 0,5%, para 12,5 milhões de toneladas de peso equivalente em carcaça. O Departamento de Agricultura dos EUA elevou sua estimativa para a produção brasileira de carne bovina em 450 mil toneladas, para 12,35 milhões de toneladas em dezembro.

Se os números oficiais confirmarem as estimativas do mercado, 2025 será o primeiro ano em que a produção do Brasil excederá a produção dos EUA, que o USDA estima ter caído 3,9%, para 11,8 milhões de toneladas em 2025, após anos de seca.

LOTES DE ALIMENTAÇÃO, MAIOR EFICIÊNCIA DE TRANSMISSÃO DE CARCAÇA

De acordo com o USDA, a produção de carne bovina dos EUA diminuirá mais 0,9%, para 11,7 milhões de toneladas em 2026. No Brasil, o USDA e o Rabobank preveem um declínio na produção, mas Nogueira disse que o aumento da produtividade poderia, na verdade, aumentar a produção no Brasil em cerca de 300.000 toneladas.

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