As geleiras parecem eternas – imunes aos cronogramas humanos. Mas os cientistas dizem que a ilusão está se desfazendo.
O que está acontecendo?
No Monte Quénia, um dos monumentos naturais mais famosos de África, os antigos glaciares estão a diminuir tão rapidamente que os especialistas alertam que poderão desaparecer completamente em apenas alguns anos.
Lewis Pugh, embaixador da boa vontade do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, escalou o pico mais alto do Monte Quénia para visitar o Glaciar Lewis em Dezembro. O que ele viu não foi uma fortaleza congelada – foi um remanescente.
De acordo com a Context, os cientistas estimam que os restantes glaciares de África poderão desaparecer até 2030. Para o Monte Quénia, o prazo poderá ser ainda mais curto.
“Os cientistas prevêem que desaparecerá completamente nos próximos três a cinco anos”, disse Pugh à publicação. “Não podemos ficar calados sobre o desaparecimento dos últimos glaciares em África”.
Antigamente, essas geleiras ajudavam a regular as temperaturas e liberavam constantemente água doce usada para beber, agricultura e produção de energia.
Atualmente, o aumento das temperaturas médias está a remover a humidade do gelo mais rapidamente do que a neve consegue substituí-la – parte de um padrão de aquecimento a longo prazo, impulsionado pelo homem, e não de um evento meteorológico isolado.
Por que isso é perturbador?
O que acontece no Monte Quénia não fica no Monte Quénia.
O Glaciar Lewis, no Quénia, não é excepção – faz parte de um padrão global. Em Itália, os cientistas alertam que o icónico glaciar Marmolada poderá desaparecer até 2040. Mais a sul, espera-se que os glaciares dos Andes diminuam entre 55-78% até ao final do século.
Os efeitos do aumento das temperaturas também não se limitam ao gelo: as águas oceânicas mais quentes perto da Grande Barreira de Corais já desencadearam eventos recorrentes de branqueamento em massa, ameaçando um dos ecossistemas marinhos mais diversos do mundo.
À medida que o gelo desaparece em todo o mundo – incluindo no Ártico – os níveis do mar aumentam, empurrando as marés mais altas durante as tempestades para os distritos costeiros. As inundações destroem casas, perturbam os portos e ameaçam os sistemas alimentares que dependem de transportes marítimos estáveis e de solos férteis.
Condições meteorológicas extremas sempre existiram, mas os cientistas concordam que o aquecimento causado pelo homem está a agir como esteróides em tempestades, inundações e ondas de calor – tornando-as mais fortes, mais persistentes e mais destrutivas.
O que é feito com isso?
Em todo o mundo, investigadores e defensores apelam a reduções mais rápidas dos poluentes que retêm o calor na atmosfera. Alguns governos estão a expandir o desenvolvimento de energia limpa e a proteger as fontes de água ligadas ao derretimento do gelo.
Existem também muitas maneiras de ajudar individualmente. Utilizar menos energia em casa, apoiar o transporte ecológico, reduzir o desperdício de alimentos e manter-se informado sobre questões ambientais críticas reduzem a pressão da perda de gelo em todo o mundo.
Os glaciares do Monte Quénia podem ser pequenos, mas a sua mensagem é forte: os sistemas que mantêm as comunidades estáveis são mais frágeis do que parecem – e precisam de atenção agora, e não mais tarde.
Receba boletins informativos gratuitos do TCD com dicas simples sobre como economizar mais, desperdiçar menos e fazer escolhas mais inteligentes – e ganhe até US$ 5.000 em atualizações limpas com o exclusivo TCD Rewards Club.






