No ano passado, a Stellantis sofreu uma redução de 22,2 mil milhões de euros (26,25 mil milhões de dólares), principalmente relacionada com a redução de programas de veículos eléctricos. Mas há uma mensagem muito maior por trás dos números: a empresa admitiu abertamente que estava avançando mais rápido do que os clientes estavam dispostos a seguir. De acordo com a Stellantis e a Reuters, a montadora está agora renovando sua estratégia com base na demanda real, em vez de metas agressivas de eletrificação.
O CEO Antonio Filosa foi invulgarmente direto na declaração da Stellantis, dizendo que a empresa “superestimou o ritmo da transição energética” e permitiu uma estratégia pré-planejada para superar o que os compradores realmente desejam. O resultado foram perdas multibilionárias em produtos EV recolhidos, plataformas elétricas defeituosas e baterias de tamanho reduzido. Tenha em mente que a Stellantis já pretendia que os VE representassem 50% das vendas nos EUA e em toda a Europa até 2030, embora a percentagem de VE na América seja de 7%.
Esta discrepância está agora a ser corrigida, com a Stellantis a transferir capital novamente para modelos híbridos e de combustão que melhor respondam às necessidades dos consumidores. Outras montadoras parecem ter a mesma ideia – há rumores de que até a Porsche está abandonando o 718 totalmente elétrico. Para colocar lenha na fogueira, existem inúmeros participantes no segmento de veículos elétricos no momento, e as montadoras chinesas parecem estar liderando o caminho. Adotar uma abordagem totalmente elétrica e econômica tornou-se mais difícil do que nunca.
O eixo é mais comum na América do Norte. Stellantis está cancelando sua planejada picape elétrica Ram 1500, devolvendo o HEMI V8 à linha Ram e expandindo as opções híbridas para várias marcas. A empresa também introduziu cinco novos veículos e 19 atividades de produtos adicionais destinadas diretamente a mercados onde os motores tradicionais ainda dominam. No entanto, isso não significa que os veículos elétricos irão desaparecer. A Stellantis afirma que continuará a investir na eletrificação, a um ritmo baseado no que os clientes realmente compram. A Ford está adotando uma abordagem semelhante, que prioriza a demanda, oferecendo o que dizem que os clientes desejam: um caminhão elétrico a um preço acessível.
Stellantis não é a única montadora que enfrenta essas baixas relacionadas a veículos elétricos. A Ford sofreu uma depreciação de US$ 19,5 bilhões e a GM também sofreu perdas de US$ 6 bilhões em 2025. O que diferencia a Stellantis é sua franqueza. Na verdade, a empresa admite que a mudança para este modelo ultrapassou a disponibilidade real do consumidor, especialmente numa região como a América do Norte, onde a picape Série F com motor ICE reina como o veículo mais vendido. Se as previsões da Stellantis se confirmarem, a rentabilidade na próxima década não resultará da imposição de veículos eléctricos aos compradores, mas de lhes dar o que desejam.
Esta história foi publicada originalmente pelo Autoblog em 7 de fevereiro de 2026, onde apareceu pela primeira vez na seção Notícias. Adicione o Autoblog como sua fonte preferida clicando aqui.



