De acordo com o Instituto de Profissionais de Sustentabilidade e Meio Ambiente (ISEP), mais de uma em cada cinco pessoas em todo o mundo será forçada a suportar um “novo normal” que ameaça a vida, a menos que os governos tomem medidas urgentes.
O que está acontecendo?
Líderes mundiais se reúnem em Belém, Brasil, para uma cúpula ambiental global que começa em 10 de novembro.
Em 20 de Novembro, o penúltimo dia da conferência, o Guardian informou exclusivamente que as conversações sobre um cronograma de eliminação dos combustíveis fósseis tinham sido interrompidas abruptamente e estavam repletas de tensão enquanto os líderes dos petroestados – que dependem fortemente das exportações de petróleo e gás – lutavam para abrandar a transição.
O ISEP destacou um estudo importante publicado na revista científica Nature Sustainability em 2023, que serviu como um contra-argumento preventivo para os países que se opõem à transição energética.
“Sob a actual política climática, o número de pessoas expostas a temperaturas perigosamente elevadas aumentará dos cerca de 60 milhões actuais para dois mil milhões em 2100.” – alertou o ISEP, citando o estudo.
O estudo concluiu que os “custos” do sobreaquecimento do planeta são muitas vezes expressos em dólares, sem ter em conta o impacto na vida de milhões de pessoas. Os cientistas examinaram o impacto no contexto do “nicho climático humano”.
De acordo com o Fórum Económico Mundial, o nicho climático humano é “a faixa de temperatura dentro da qual a vida e as atividades humanas são sustentadas”. Simplificando, refere-se às temperaturas nas quais os humanos podem viver e funcionar.
Os cientistas observaram que, no momento da publicação, em 2023, cerca de 600 milhões de pessoas já viviam fora desta faixa, expondo-as a temperaturas perigosamente elevadas.
Olhando para o futuro, descobriram que “sob as actuais políticas climáticas” este número quase quadruplicará até 2100, deixando 2 mil milhões de pessoas a sofrer de um calor inabitável e potencialmente fatal.
Por que isso é importante?
À medida que as negociações sobre o clima global foram paralisadas e o fim da cimeira se aproximou, os alertas dos investigadores sobre a necessidade de mudar de rumo tornaram-se totalmente evidentes.
O estudo concluiu que, se nada mudar, as temperaturas globais atingirão 2,7 graus Celsius (4,8 graus Fahrenheit) acima dos níveis pré-industriais até 2100 – e isso nem sequer era o “pior cenário”, observou o ISEP.
Cenários menos conservadores, em que as temperaturas subissem entre 3,6 graus Celsius (6,5 graus Fahrenheit) e 4,4 graus Celsius (8 graus Fahrenheit), exporiam metade da população mundial a temperaturas perigosamente elevadas.
“Por cada 0,1°C de aquecimento acima dos níveis actuais, aproximadamente mais 140 milhões de pessoas serão expostas a calor perigoso. Isto realça tanto a escala do problema como a importância de uma acção decisiva”, explicou o autor do estudo, Tim Lenton.
No entanto, se as nações tomarem medidas e conseguirem limitar o aquecimento à meta do Acordo de Paris de 1,5 graus Celsius (2,7 graus Fahrenheit), apenas 5% da população mundial permanecerá exposta a um calor perigoso.
O que é feito com isso?
Com os líderes mundiais num impasse, a acção individual para combater o aumento das temperaturas é mais importante do que nunca.
Acompanhar as principais questões climáticas é crucial, e outra forma de ajudar é contactar os legisladores para exigir medidas.
��
Receba boletins informativos gratuitos do TCD com dicas simples sobre como economizar mais, desperdiçar menos e fazer escolhas mais inteligentes – e ganhe até US$ 5.000 em atualizações limpas com o exclusivo TCD Rewards Club.







