As vítimas de um incêndio na véspera de Ano Novo na Suíça não foram submetidas às autópsias habituais para determinar como morreram, disseram nesta sexta-feira advogados que representam suas famílias.
Num incêndio ocorrido em 1º de janeiro no bar Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana, no cantão de Wallis, no sudoeste da Suíça, 40 pessoas, a maioria adolescentes, morreram e outras 116 ficaram feridas.
“Não está claro se uma autópsia não foi marcada imediatamente”, disse à AFP o advogado Romain Jordan, que representa várias famílias das vítimas.
“É uma morte violenta, então a causa deve ser definitivamente determinada como fogo, fumaça, atropelamento, alguma outra coisa?” ele disse.
“Também é importante determinar a quantidade de álcool que as vítimas consumiram”, acrescentou.
Jean-Luc Addor, advogado que representa a família do adolescente falecido na tragédia, disse à AFP: “Isso não é normal porque em casos de morte violenta este deveria ser um procedimento padrão. Deveria ter sido feito”.
Na Suíça, as autópsias são realizadas por ordem do Ministério Público.
Como já foram realizados alguns funerais, existe o risco de os corpos que não passaram post-mortem terem de ser exumados.
Os promotores de Wallis se recusaram a comentar a autópsia e a exumação quando contatados pela AFP.
Em 4 de janeiro, Addor solicitou ao Ministério Público do condado de Wallis que conduzisse um exame post-mortem dos restos mortais do adolescente.
Como o enterro estava marcado para 14 de janeiro, Addor voltou a procurar o Ministério Público no dia 12 de janeiro, altura em que o corpo já havia sido entregue à família.
Os promotores finalmente ordenaram uma autópsia, obrigando a família a devolver o corpo e adiar o funeral. No final, o adolescente foi enterrado na sexta-feira.
– Problemas italianos –
O embaixador italiano em Berna disse que nenhum dos seis italianos mortos foi submetido a autópsias na Suíça, informou o jornal Neue Zurcher Zeitung na sexta-feira.
Na Itália, o advogado Alessandro Vaccaro, que representa a família de uma das vítimas, disse à AFP na sexta-feira que “o Ministério Público de Roma solicitou a entrega dos corpos para que seja realizada uma autópsia”.
Os promotores de Wallis acreditam que o incêndio começou quando garrafas de champanhe com faíscas foram erguidas muito perto da espuma à prova de som no teto do porão do bar.
Mas a investigação ainda tem de apurar diversas questões, por exemplo, se a espuma cumpria as normas de segurança, o funcionamento das saídas de emergência e se existiam extintores de incêndio.
De acordo com um relatório da polícia italiana baseado numa visita de 4 de Janeiro a Crans-Montana por dois dos seus médicos legistas, três dos 40 corpos foram encontrados no exterior.
Trinta e sete foram encontrados no porão, sendo 34 deles “empilhados na parte inferior da escada” que vai do porão ao primeiro andar do bar.
O corrimão de madeira foi puxado ao chão pelo “peso dos corpos”.
O relatório, ao qual a AFP teve acesso, afirma que as autoridades suíças “não ordenaram autópsias ou outros exames forenses” nos corpos das vítimas italianas e que “as certidões de óbito emitidas não indicam a causa da morte”.
– Decisão sobre fiança –
Os proprietários franceses do bar, marido e mulher Jacques e Jessica Moretti, estão sob investigação criminal e acusados de homicídio culposo, lesão corporal por negligência e incêndio criminoso por negligência.
Jacques Moretti está sob custódia durante os primeiros três meses.
Os promotores de Wallis estabeleceram uma fiança de 200 mil francos suíços, disse uma fonte próxima ao caso à AFP na sexta-feira.
O tribunal decidirá sobre o valor, mas a data ainda não foi definida.
Os advogados de Moretti esperam que uma decisão seja tomada “o mais rápido possível”, disseram à agência de notícias suíça Keystone-ATS na sexta-feira.
Jessica Moretti continua livre, mas sob certas restrições.
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Este artigo foi gerado a partir de um feed automático de agências de notícias sem alterações no texto.







