Laurie Chen e Eduardo Baptista
PEQUIM (Reuters) – A China disse nesta quinta-feira que é agora líder mundial em pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial, bem como em outros campos-chave, como a tecnologia quântica, e prometeu “acelerar os esforços para alcançar maior autossuficiência tecnológica”.
A afirmação foi feita num dos relatórios governamentais emitidos durante a sessão inaugural da Assembleia Popular Nacional, o parlamento oficial da China.
“A China é atualmente líder global em pesquisa, desenvolvimento e aplicações em campos como inteligência artificial, biomedicina, robótica e tecnologia quântica, e novos avanços foram feitos em P&D de chips independentes”, segundo um relatório da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.
O governo enfatizou o seu compromisso com a tecnologia – uma área que chama de “novas forças produtivas de qualidade” – nos parágrafos iniciais do principal relatório governamental apresentado pelo Primeiro-Ministro Li Qiang. Isto ficou muito mais visível do que no relatório do ano passado.
O relatório afirma que uma nova força de produção de alta qualidade será responsável pela maioria dos projetos no âmbito do plano quinquenal ainda a ser divulgado para 2026-2030.
A China está travada uma batalha feroz com os Estados Unidos pelo domínio em tecnologias-chave. Isto levou a intensas fricções comerciais, com ambas as partes a introduzirem controlos de exportação sobre alguns produtos e recursos essenciais – no caso de Washington, chips avançados, e no caso de Pequim, elementos de terras raras e minerais essenciais.
Afastar-se das tecnologias ocidentais, como chips e aviões, tem sido um tema importante para Pequim, assim como o progresso em indústrias mais recentes, como a inteligência artificial.
ROBÔS HUMANÓIDES E CENTROS DE DADOS
O principal relatório de trabalho do governo descreve como o país planeia aumentar o investimento em certas áreas relacionadas com a ciência de ponta, como as interfaces máquina-cérebro. A China também está a intensificar esforços nas suas principais indústrias, como a tecnologia quântica, a inteligência artificial incorporada – a tecnologia que alimenta os robôs humanóides – e o 6G.
“Pequim está fazendo da inteligência artificial, e especialmente da inteligência artificial incorporada, uma importante área de foco”, disse Kyle Chan, especialista em tecnologia da China no think tank da Brookings Institution.
“O objetivo de Pequim é usar a inteligência artificial e a robótica para aumentar a produtividade e a eficiência em muitos setores, desde a produção e logística até à educação e aos cuidados de saúde.”
Na indústria mais ampla da inteligência artificial, uma área onde a China procura desafiar os gigantes tecnológicos e as startups dos EUA, Pequim prometeu construir clusters de computação em “hipereescala” apoiados por electricidade barata e abundante, bem como apoiar a construção de comunidades baseadas em IA de código aberto.






