O New York Times e o Washington Post souberam que os EUA estavam a planear um ataque militar secreto na Venezuela pouco antes de este começar, mas atrasaram a publicação depois de funcionários da administração terem alertado que isso poderia colocar as tropas norte-americanas em risco, informou a Semafor, citando duas pessoas familiarizadas com as comunicações.
A decisão de reter a reportagem reflecte uma prática de longa data no jornalismo americano de atrasar a publicação de informações sensíveis de segurança nacional quando as autoridades afirmam que vidas militares americanas estão em risco. A colaboração surge no meio de uma relação invulgarmente hostil entre o Presidente Trump e grande parte dos meios de comunicação nacionais.
A operação, autorizada por Trump às 22h46. Sexta-feira, resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Trump e membros seniores da sua administração elogiaram publicamente a operação no sábado, citando o seu sigilo e a ausência de baixas americanas.
“A coordenação, a discrição, a precisão, o longo braço da justiça americana – tudo em exibição no meio da noite”, disse o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Hegseth não fez referência ao papel que as organizações de notícias desempenharam na manutenção do sigilo durante a operação. Ele, no entanto, deu várias entrevistas – a primeira na transmissão inaugural do “CBS Evening News” com o novo âncora Tony Dokoupil – nas horas que se seguiram.
Ao contrário de alguns países, os Estados Unidos não possuem um mecanismo legal que permita ao governo bloquear a publicação de informações confidenciais ou sensíveis antes de serem comunicadas através dos canais oficiais. Qualquer atraso na publicação é voluntário e geralmente baseado em discussões entre editores e funcionários do governo.
A postura antagónica de Trump em relação aos meios de comunicação social tem sido uma característica definidora tanto da sua primeira como da sua segunda administração, com tensões particularmente pronunciadas no Pentágono. As novas diretrizes impostas no ano passado forçaram várias organizações de notícias a desocupar as áreas de imprensa do Departamento de Defesa, estreitando o acesso e limitando as reportagens no terreno.
Vazamentos envolvendo questões de segurança nacional – intencionais e não intencionais – levaram a algumas das mais intensas controvérsias na mídia do atual mandato de Trump.
A decisão dos meios de comunicação dos EUA de adiar a publicação é consistente com casos anteriores em que jornalistas concordaram em reter informações sensíveis. O Times, por exemplo, atrasou a reportagem sobre aspectos da invasão da Baía dos Porcos em 1961 e adiou a publicação de um artigo sobre vigilância sem mandado durante a administração de George W. Bush, depois de as autoridades terem alertado sobre potenciais danos.
Mais recentemente, os meios de comunicação social dos EUA ocultaram no ano passado a informação de que os EUA estavam a negociar uma troca de prisioneiros com a Rússia, envolvendo o repórter do Wall Street Journal, Evan Gershkovich, e o antigo fuzileiro naval dos EUA, Paul Whelan.







