Elenco de ‘O Agente Secreto’ na População de Recife, Brasil, um ‘Lugar Maluco Cheio de Rostos Interessantes’

A primeira categoria de Melhor Elenco no Oscar teve suas surpresas. Numa categoria que ia exclusivamente para filmes em língua inglesa, Gabriel Domingues foi reconhecido por seu trabalho no drama brasileiro “O Agente Secreto”.

Apesar de estar na lista de 10 pessoas para a categoria de elenco, ele optou por não
assista à transmissão ao vivo das indicações ao Oscar. “Eu tinha marcado duas entrevistas para
dia do anúncio”, disse Domingues. “Pensei: ‘OK, se eu for indicado, seria incrível, mas se não for, terei que trabalhar de qualquer maneira.’ Quando fui indicado, é claro que recebi 200 mensagens e muitos telefonemas.”

Embora seus outros indicados tenham currículos de elenco que datam da década de 1990, Domingues não recebeu seu primeiro crédito de assistente de elenco até Aquarius, de 2016. Foi lá que apoiou o diretor de elenco Marcelo Caetano e começou a trabalhar com Kleber Mendonça Filho, crítico de cinema que virou cineasta e escreveu e dirigiu O Agente Secreto.

“Eu era muito jovem. Tinha acabado de sair da faculdade de cinema e estava começando a entender de cinema e de trabalhar com atores, o que foi muito importante para mim”, disse Domingues. “Fizemos muitas audições pelo Brasil e fizemos um processo muito longo de investigação e abordagem de diferentes tipos de atores. Foi um momento muito importante para mim criar meus métodos de casting porque éramos muito livres.”

Quase uma década depois, Domingues e Mendonça Filho se reencontraram em “O Agente Secreto”, também indicado a Melhor Filme, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Filme Internacional (representando o Brasil). Quando o projeto foi lançado, Domingues tinha mais alguns pontos em seu elenco – não apenas filmes de pequena escala, mas projetos brasileiros de grande orçamento apoiados pela Netflix e pela Amazon. No elenco de “O Agente Secreto”, porém, ele teve algo que facilitou seu trabalho: Mendonça Filho.

Wagner Moura em ‘O Agente Secreto’ (Neon)

“Todos os atores querem trabalhar com ele – como a maioria aqui no Brasil”, disse ele. “Mesmo pessoas que eu não conheço vieram até mim para se apresentarem neste filme.”

Mendonça Filho trouxe consigo alguns nomes desde o início do projeto. O cineasta escreveu a parte principal de Armando para Moura, amigo de longa data com quem invejava a política de extrema direita do Brasil durante o reinado de Jair Bolsonaro.

No filme “Bacurau”, de Mendonça Filho, de 2019, a personalidade contagiante de Tânia Maria como figurante foi “tão especial que lhe deram duas falas”, segundo Domingues, o que levou o diretor a escrever para a atriz estreante, hoje com 79 anos, um fogo de artifício completo para um papel em “O Agente Secreto” como Dona Sebastiana. Ele também escreveu o papel de Hans especificamente com o falecido Udo Kier (outro ex-aluno de “Bacurau”) em mente.

Mas um dos maiores trunfos de “O Agente Secreto” é seu conjunto gigantesco, repleto de peças grandes e pequenas que enriquecem a textura do Recife (cidade natal de Mendonça Filho e cenário central do filme). Domingues apontou “talvez 10” membros do elenco deste filme que ele coloca em seu hall da fama pessoal – entre eles Robson Andrade como o jovem dissidente Clóvis e Robério Diógenes como o delegado de polícia corrupto Euclides. Deu um agradecimento especial a Carlos Francisco (“um ícone do cinema brasileiro”), que interpreta o sogro de Armando, Sr. Alexandre.

Domingues também falou da dificuldade específica de encontrar a pessoa certa para Henrique Castro Ghirotti, um homem imoral e bem relacionado, cujos rancores pessoais e políticos fazem com que Armando se esconda. No final, o papel foi para Luciano Chirolli, um respeitado ator de teatro que irradia uma ameaça silenciosa e uma mesquinhez assustadora.

“O personagem representa muito sobre a vilania, uma ideia maligna de pessoas em posições de poder na época”, disse Domingues. “Não queríamos que a pessoa que interpretasse tivesse uma ideia muito óbvia de violência, o que é uma coisa muito difícil quando você está escalando um filme – não seguir o caminho mais fácil, o caminho óbvio.”

Atores como estes ajudaram Domingues a desenvolver o Recife na década de 1970, uma cidade repleta de comunidade e de corrupção. O diretor de elenco disse que ficou “honrado” em ajudar Mendonça Filho a representar sua cidade natal dessa forma.

“As pessoas que trabalham com ele concordam que Recife é um dos lugares mais interessantes do mundo”, disse Domingues. “Recife é um lugar incrível e super interessante e maluco, totalmente maluco. E esse lugar maluco está cheio de rostos interessantes.”

Estar entre os primeiros diretores de elenco a serem reconhecidos no Oscar dá a Domingues imensa gratidão e bastante nervosismo.

“Na semana passada fiquei apavorado”, disse ele menos de duas semanas depois de receber a indicação. “Mas esta semana estou pensando: ‘Bem, vou me divertir com isso.'”

Ao mesmo tempo, ele percebe que esse reconhecimento reconhece muito mais do que apenas ele mesmo, mesmo que seu nome seja o que poderia estar na estatueta.

“Eu meio que represento muitos dos atores do filme”, disse ele. “Eu sei de onde eles vieram. Eles lutaram muito para estar neste filme. Eles trabalharam muito. Então, não estou sozinho. Estou com eles. Estou muito orgulhoso de estar nesta posição para representá-los, porque não foi fácil.”

Esta história apareceu pela primeira vez na edição Down to the Wire da revista de premiação TheWrap, que será publicada em 19 de fevereiro de 2026.

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