A aquisição da VMware pela Broadcom em 2023 e os subsequentes aumentos de preços foram um alerta sobre os perigos do aprisionamento do fornecedor e da dependência da TI em sistemas de nuvem fechados e inflexíveis. Alguns clientes experimentaram aumentos de preços de até 1.500%.
No entanto, o medo de causar interrupções durante a migração de cargas de trabalho fez com que muitos hesitassem ao escolher uma nova plataforma alternativa de virtualização e nuvem.
CEO da OpenNebula Systems.
No entanto, a saída da VMware e a migração da plataforma estão a tornar-se um movimento estratégico em vez de um mero exercício de redução de custos e, se feito corretamente, oferecem às organizações a oportunidade de modernizar, atualizar e preparar a sua infraestrutura para o futuro, permitindo maior eficiência, flexibilidade e controlo.
A saída da VMware como vantagem competitiva
A aquisição da VMware dividiu o mercado europeu de nuvem em dois grupos: organizações ainda vinculadas a contratos e aquelas que já procuram uma saída.
A migração para a nuvem não deve mais ser vista como um atraso complicado, mas como uma forma de as organizações olharem para o futuro e redesenharem os sistemas para eficiência e flexibilidade a longo prazo.
A mudança para uma infraestrutura aberta, modular e sem fornecedores pode ajudá-los a recuperar o controle de sistemas, dados, estratégias e orçamentos. As empresas agora podem escolher plataformas independentes de hardware que permitem fácil integração com a infraestrutura existente sem a necessidade de hardware ou recursos proprietários caros.
Eles também podem ser customizados, permitindo que as empresas criem soluções sob medida.
Garantir a soberania e a estratégia de IA
Atualmente, duas forças adicionais estão acelerando as decisões de migração da VMware: soberania e IA.
A soberania não é apenas uma caixa de seleção regulatória relacionada aos locais de serviços em nuvem. Para muitas organizações, especialmente na UE e no Reino Unido, tornou-se um requisito operacional e específico do fornecedor.
À medida que as regulamentações de proteção de dados evoluem e a fiscalização se torna mais rigorosa, espera-se cada vez mais que as equipes de TI garantam o controle direto sobre a localização, o acesso e a governança dos dados. Isto é especialmente verdadeiro para cargas de trabalho que envolvem dados pessoais, propriedade intelectual ou sistemas empresariais estratégicos.
Neste contexto, a dependência contínua de pilhas de virtualização proprietárias e controladas levanta preocupações legítimas sobre a autonomia e os riscos a longo prazo.
Essa mudança se reflete em todo o mercado. Os analistas apontam consistentemente que a maioria das empresas fora dos EUA está a definir ativamente as suas estratégias de independência digital.
Como resultado, a migração do VMware não é mais motivada apenas por licenciamento ou considerações de custo; Cada vez mais se trata de quem controla a camada de software e quão adaptável ela é às mudanças regulatórias e organizacionais.
A IA é a segunda força que está remodelando a forma como as organizações pensam em se afastar da VMware. O que antes eram projetos experimentais estão agora a tornar-se parte das operações diárias e esta mudança está a expor as limitações das plataformas de virtualização tradicionais.
A execução de cargas de trabalho de IA, especialmente aquelas que dependem de GPUs, exige mais flexibilidade na forma de configurar, compartilhar e dimensionar a infraestrutura.
Muitas equipes estão descobrindo que seus planos de IA e planos de migração VMware estão intimamente ligados. A plataforma que você escolher hoje determinará a facilidade com que as GPUs podem ser gerenciadas, o quão isoladas são as cargas de trabalho de IA e a rapidez com que novas ferramentas e modelos podem ser implantados.
A mudança para uma plataforma de nuvem mais aberta e adaptável dá às equipes espaço para experimentar, ajustar e crescer sem trabalhar constantemente além dos limites da plataforma. Nesse sentido, sair da VMware não é apenas substituir a tecnologia; trata-se de dar às equipes de infraestrutura a liberdade de dar suporte ao que está por vir.
Erros de migração devem ser reconhecidos pelos CIOs
Muitas organizações iniciam a migração pensando que é apenas uma troca de hipervisor. No entanto, saltar diretamente de uma pilha proprietária para outra não é uma boa ideia, e os CIOs logo encontrarão os mesmos problemas que enfrentaram com seus fornecedores anteriores.
Algumas pessoas assumem a posição de que irão trocar de fornecedor e fundir tudo mais tarde, mas isso quase nunca acontece. No cenário mais seguro, eles obtêm duas pilhas diferentes, dois conjuntos de ferramentas e duplicam a complexidade.
E quando finalmente tentam juntar tudo, encontram todo um novo conjunto de problemas: APIs diferentes, ciclos de atualização diferentes e modelos de suporte diferentes. É ainda mais difícil de operar do que antes.
As organizações cansadas de plataformas excessivamente complexas também migram erroneamente para soluções externas muito básicas, construídas sobre sistemas operacionais existentes. Esses tipos de configurações não são projetados para produção empresarial em escala, e as empresas que escolherem esse método terão dificuldade para continuar operando normalmente.
Em vez disso, os CIOs devem procurar oportunidades que estejam prontas para a empresa, abertas e soberanas, e planejá-las bem. Qualquer transição levará tempo; isso não é algo que possa ser concluído em um trimestre.
As organizações precisam garantir que sua nova pilha esteja totalmente atualizada antes de migrar, e a maioria precisará de pelo menos seis meses para preparar, testar e migrar suas primeiras cargas de trabalho. Para os CIOs que desejam mudar de fornecedor, o planejamento da saída precisa começar agora, e não quando o contrato estiver prestes a terminar.
Olhando para o futuro na próxima década
A saída da VMware não é apenas um exercício de redução de custos, tornou-se uma estratégia proativa para construir resiliência a longo prazo. A aquisição da VMware expôs os perigos da dependência de sistemas fechados e permitiu às organizações rever, modernizar e controlar a sua infraestrutura.
Ao migrar para plataformas abertas, modulares e soberanas, as empresas não só se protegem de futuros choques de mercado, mas também posicionam os seus sistemas para suportar novas exigências, como a governação de dados e a IA.
As organizações que abordam a saída da nuvem com cautela, evitando a armadilha da transferência de um sistema proprietário para outro, desbloquearão maior flexibilidade, melhor relação custo-benefício e um caminho mais claro a seguir.
Para os CIOs, isso significa planejar com antecedência e encarar a saída da VMware não como um revés, mas como uma oportunidade para construir uma infraestrutura que realmente servirá seus negócios.
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