Administração Trump suspende uso de tecido fetal humano em pesquisas financiadas pelo NIH

A administração Trump anunciou quinta-feira que o tecido fetal humano proveniente de abortos não pode mais ser usado em pesquisas financiadas pelos Institutos Nacionais de Saúde.

A política, há muito defendida por grupos antiaborto, amplia as restrições impostas durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump.

O governo financia pesquisas envolvendo tecidos fetais há décadas, tanto sob administrações republicanas quanto democratas. O tecido, que de outra forma teria sido descartado, desempenhou um papel fundamental em algumas pesquisas, incluindo como combater o HIV e o câncer. Os oponentes do uso de tecido fetal dizem que agora existem alternativas, embora muitos cientistas afirmem que nem sempre são substitutos adequados.

Num comunicado divulgado na quinta-feira, o diretor do NIH, Jay Bhattacharya, reconheceu que a agência “há muito mantém uma política que rege o uso responsável e limitado de tecido fetal humano em pesquisas biomédicas”.

Desde 2019, seu uso diminuiu. A agência de US$ 47 bilhões contou apenas 77 projetos financiados em 2024 que envolveram tecido fetal.

A primeira administração Trump pôs fim à utilização de tecido fetal no campus do NIH e estabeleceu obstáculos adicionais para cientistas não governamentais que se candidatassem a financiamento do NIH, que foram então eliminados pela administração Biden. A nova política de quinta-feira cobre todas as pesquisas financiadas pelo NIH.

Documentos do NIH dizem que a política não impede o uso de “linhagens celulares” criadas há muitos anos a partir de células fetais. São cópias clonadas de células, como células-tronco embrionárias, adaptadas para crescer continuamente em laboratórios. A declaração de Bhattacharya disse que o NIH em breve buscará comentários sobre possíveis formas de “reduzir ou potencialmente substituir a dependência de células-tronco embrionárias humanas”.

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O Departamento de Saúde e Ciência da Associated Press recebe apoio do Grupo de Mídia Educacional e Científica do Howard Hughes Medical Institute e da Fundação Robert Wood Johnson. A AP é a única responsável por todo o conteúdo.

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