Nova Deli. Um estudo realizado na Mata Atlântica do Brasil descobriu que a perda contínua de biodiversidade pode estar fazendo com que mosquitos que antes se alimentavam de uma variedade de hospedeiros preferissem sangue humano.
A floresta, que se estende ao longo da costa atlântica do Brasil e se estende até o Paraguai e a Argentina, é um hotspot de biodiversidade reconhecido mundialmente, lar de milhares de espécies de plantas e animais.
No entanto, a expansão humana deixou intacta apenas cerca de 30% da área florestal original, afirmaram investigadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto Osvaldo Cruz.
À medida que a presença humana afasta os animais dos seus habitats, os mosquitos que antes se alimentavam de diferentes hospedeiros podem encontrar novos alvos humanos para satisfazer a sua sede de sangue, dizem eles.
O estudo, publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution, identificou fontes de alimento para mais de 1,7 mil mosquitos capturados na região da Mata Atlântica de duas reservas naturais: a Reserva Sítio Recanto e a Reserva Ecológica do Rio Guapiacu, no estado do Rio de Janeiro.
Dos mosquitos capturados pertencentes a 52 espécies, 145 fêmeas foram sangradas e examinadas em laboratório em busca de fontes de alimento.
Segundo os pesquisadores, as refeições sanguíneas consumidas por 24 das 145 fêmeas do mosquito puderam ser identificadas e vieram de 18 humanos, um anfíbio, seis pássaros, um cachorro e um camundongo.
“Foram capturados um total de 1.714 mosquitos, dos quais apenas 145 fêmeas foram injetadas. Os resultados revelaram uma clara tendência para as espécies de mosquitos capturadas se alimentarem principalmente de seres humanos”, escrevem os autores.
“Isso é crucial porque em um ambiente como a Mata Atlântica, com sua alta diversidade de potenciais hospedeiros vertebrados, a preferência humana aumenta muito o risco de transmissão de patógenos”, disse o coautor Sergio Machado, pesquisador de microbiologia e imunologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Os investigadores explicaram que à medida que as florestas atlânticas diminuem devido à desflorestação e à invasão humana em áreas anteriormente florestadas, as plantas e os animais estão a desaparecer.
Como resultado, os mosquitos estão a mudar os seus hábitos e habitats e a aproximar-se dos humanos, dizem.
“Com menos opções naturais disponíveis, os mosquitos são forçados a procurar novas fontes alternativas de sangue. Eles acabam se alimentando mais de humanos por sua própria conveniência, porque somos o hospedeiro mais comum nessas áreas”, disse Machado.
Segundo os investigadores, as descobertas poderão ajudar a desenvolver políticas e estratégias mais eficazes destinadas a controlar os mosquitos transmissores de doenças e a prevenir surtos.
Eles acrescentaram que estudar o comportamento alimentar dos mosquitos é fundamental para a compreensão da dinâmica ecológica e epidemiológica das doenças transmitidas por insetos.
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