China aumenta apoio fiscal para aumentar taxa de natalidade

HONG KONG (Reuters) – A política populacional da China está emergindo como uma parte fundamental da estratégia econômica da China, à medida que Pequim lança seus esforços mais abrangentes para aumentar sua taxa de natalidade, e os dados oficiais da população, que serão divulgados em 19 de janeiro, deverão mostrar um quarto declínio anual consecutivo.

Pequim estima o custo potencial total de cerca de 180 mil milhões de yuans (25,8 mil milhões de dólares) em 2026 para aumentar as taxas de natalidade, à medida que as autoridades procuram reverter décadas de controlos populacionais rígidos que ajudaram a combater a pobreza, mas remodelaram as famílias chinesas, segundo uma estimativa da Reuters.

As estimativas incluem o custo do subsídio infantil nacional, que foi introduzido pela primeira vez no ano passado, bem como os prémios de seguro esperados. O governo prometeu que em 2026, as mulheres não terão despesas correntes durante a gravidez e todos os custos médicos, incluindo a fertilização in vitro (FIV), serão totalmente reembolsados ​​através do fundo nacional de seguro de saúde.

O Ministério das Finanças da China não respondeu imediatamente a um pedido da Reuters para comentar os dados, o que estava em linha com as estimativas dos economistas.

A população da China está a diminuir e a envelhecer rapidamente a partir de 2022, complicando o plano de Pequim para aumentar o consumo interno e reduzir a dívida, prevendo-se que centenas de milhões de pessoas deixem o mercado de trabalho numa altura em que os orçamentos das pensões já estão apertados.

Demógrafos e economistas argumentam que hoje em dia o menor número de crianças poderá significar menos agregados familiares e um crescimento mais lento do consumo ao longo do tempo.

AS POLÍTICAS PROVAVELMENTE TERÃO EFEITO LIMITADO

Apesar do aumento dos gastos, os demógrafos disseram que é improvável que as novas medidas causem um aumento significativo nas taxas de natalidade.

As iniciativas “podem ter algum efeito, mas o seu impacto será provavelmente limitado”. “A baixa fertilidade é um desafio comum em toda a Ásia Oriental”, disse Xiujian Peng, investigador sénior do Centro de Estudos Políticos da Universidade de Victoria, na Austrália.

A China tem uma das taxas de fertilidade mais baixas do mundo, com cerca de 1 nascimento por mulher, bem abaixo da taxa de 2,1 necessária para manter a sua população estável, e os demógrafos dizem que é provável que diminua ainda mais. Outras economias do Leste Asiático, incluindo Taiwan, Coreia do Sul e Singapura, apresentam taxas de fertilidade igualmente baixas, de cerca de 1,1 nascimentos por mulher.

A população da China em idade fértil, definida pela ONU como aquela com idade entre os 15 e os 49 anos, deverá diminuir em mais de dois terços, para menos de 100 milhões, até ao final do século, de acordo com as projecções da ONU.

Peng disse que o Japão, a Coreia do Sul e Singapura também investiram pesadamente em políticas pró-natalistas, mas tiveram sucesso limitado. “Esta experiência sugere que não existe uma solução rápida ou simples.”

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