O chefe da OMS continua esperançoso de que a administração Trump reconsiderará a retirada

Autora: Emma Farge

GENEBRA (Reuters) – O chefe da Organização Mundial da Saúde disse nesta quinta-feira que ainda espera que o governo dos Estados Unidos reconsidere sua decisão de se retirar da organização no próximo mês, dizendo que “sua saída seria uma perda para o mundo”.

Num dos seus primeiros atos como presidente dos EUA, Donald Trump assinou uma ordem de suspensão, alegando que a agência global de saúde administrou mal a pandemia de Covid-19 e estava demasiado próxima da China. Entrará em vigor em 22 de janeiro de 2026.

A decisão levantou preocupações sobre a cooperação global em quaisquer futuras epidemias, que a OMS ajuda a “coordenar através de uma série de regulamentações sanitárias internacionais”.

“Há coisas que só se podem obter da OMS e de mais lado nenhum. Estas questões são questões de segurança sanitária… e é por isso que pedimos aos Estados Unidos que reconsiderassem, porque o mundo só pode estar seguro se estivermos todos na mesma página”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em resposta à pergunta de um repórter sobre a “retirada”.

“A ausência deles na OMS será uma perda para ambos os lados, eles perderão por causa disso. O resto do mundo também perderá.”

Tedros disse que as críticas dos EUA à organização são injustificadas porque os apela, entre outras coisas, através de reformas de redução de custos. Culpando a má gestão da pandemia, ele disse que as lições foram aprendidas.

Ele disse também concordar que Washington, durante anos o maior doador da OMS, deveria pagar menos para corrigir a dependência excessiva de um único doador.

Tedros disse que, apesar das instruções anteriores da administração Trump para que as autoridades de saúde dos EUA se abstivessem de contactar a OMS, consultavam regularmente as informações fornecidas pela OMS.

“Fornecemos-lhes todas as informações de que precisavam porque, em última análise, o trabalho da OMS é manter os americanos e ‘o resto do mundo’ seguros”, disse ele.

(Reportagem de Emma Farge; edição de Miranda Murray e Alison Williams)

Link da fonte