“O preço disso é um dano irreversível à saúde de nossos filhos.”

A pesquisa mostra que diversas marcas, incluindo a Coca-Cola, estão ligadas a processos de produção de plásticos que utilizam fracking.

O que está acontecendo?

A Euronews informou que o Stand.earth encontrou mais de 25 marcas de consumo conhecidas ligadas a operações de fracking na Bacia Permiana do Texas, uma das maiores “bombas de carbono” do mundo devido à sua enorme contribuição para a poluição que aquece o planeta.

O fracking envolve a quebra da rocha de xisto abaixo da superfície da terra para extrair gás natural e petróleo, conseguido através do uso de uma mistura de alta pressão de água, areia e produtos químicos soprados na rocha.

O subproduto é o etano, utilizado como combustível na indústria de plásticos. Uma investigação Stand.earth revelou que grande parte do etano do Texas é enviado para o exterior para a produção de plásticos.

Stand.earth observou que algumas das marcas ligadas ao fracking na Bacia do Permiano incluem Coca-Cola, Unilever e Nestlé.

Por que o fraturamento hidráulico é perturbador?

O processo de fracking causa danos ambientais e pode impactar significativamente as comunidades locais. Por exemplo, pode causar tremores ou pequenos terremotos, e as fontes de água locais podem ficar poluídas com gás. Há até vídeos de moradores próximos a locais de fraturamento hidráulico ateando fogo à água da torneira, mostrando a extensão da contaminação.

Assista agora: Qual o impacto que um fogão a gás tem na qualidade do ar da sua casa?

“Desde a extração tóxica na Bacia do Permiano até à produção de venenos ao longo do Canal de Houston, o custo é um dano irreversível para a saúde das nossas crianças – baixo peso à nascença e danos reprodutivos e de desenvolvimento – abrangendo gerações”, disse à Euronews Yvette Arellano, fundadora e diretora executiva da organização popular de justiça ambiental Fenceline Watch, em Houston.

O fracking é uma forma de aceder a recursos energéticos abundantes, mas a extracção pode ser perigosa e destruir habitats importantes. Entretanto, a dependência do gás natural retarda ainda mais a transição para fontes de energia não poluentes, como a energia solar e a eólica.

A utilização de etano em plásticos coloca outros problemas. O plástico é um dos materiais mais poluentes do nosso planeta. Não se decompõe naturalmente, mas decompõe-se em partículas cada vez mais pequenas, tornando-se microplásticos que podem entrar no corpo de animais e humanos e têm sido associados a uma variedade de problemas de saúde.

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente registou que entre 19 e 23 milhões de toneladas de plástico entram nos ecossistemas aquáticos todos os anos, poluindo o abastecimento de água, destruindo habitats animais importantes e representando uma ameaça para a vida marinha.

Um estudo publicado na revista Science Advances, resumido pela Axios, descobriu que a Coca-Cola é responsável por mais da metade da poluição plástica do mundo.

O que a Coca-Cola está fazendo em relação à poluição plástica?

A Coca-Cola está empenhada em iniciativas amigas do ambiente – como o Mundo Sem Resíduos, que se compromete a tornar todas as embalagens recicláveis ​​– mas os críticos dizem que isso não é suficiente.

A empresa afirmou que aumentará a utilização global de plásticos reciclados para 30-35% até 2035, mas a ligação às operações de fracking sugere que ainda está à procura de novos plásticos.

Delphine Levi Alvares, gestora global de campanhas petroquímicas do Centro de Direito Ambiental Internacional, disse à Euronews que as marcas muitas vezes esquecem que “o seu negócio principal não é embalar, mas sim entregar produtos às pessoas”.

Usar plásticos baseados em combustível sujo é uma escolha, não uma necessidade. Os plásticos reciclados e de base biológica são alternativas mais seguras. Mesmo designs recarregáveis ​​ou sem embalagem podem funcionar.

Até que as empresas se comprometam a reduzir a utilização de plástico, o fracking continuará a ser rentável. É importante reconhecer as práticas verdes – quando as empresas promovem práticas ecológicas mas não as seguem – e apoiar as empresas que são transparentes sobre os materiais de embalagem e que trabalham para dar prioridade a escolhas sustentáveis ​​para as pessoas e para o planeta.

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