Autores: Emily Green e Elida Moreno
CIDADE DO PANAMÁ (Reuters) – Autoridades panamenhas invadiram a unidade portuária local do conglomerado CK Hutchison de Hong Kong, informou a subsidiária nesta sexta-feira, aprofundando o conflito sobre o controle de dois portos importantes próximos ao estratégico Canal do Panamá no mundo.
A busca realizada na quinta-feira ocorreu num momento de crescente rivalidade entre os EUA e a China sobre as “rotas comerciais globais” que aprofundou as tensões entre Washington e Pequim. A Panama Ports Company de CK Hutchison também esteve envolvida nisto, tendo recentemente perdido contratos para operar dois terminais “em ambas as extremidades do canal, movimentando aproximadamente 5% do comércio marítimo mundial”.
Num comunicado divulgado na sexta-feira, a PPC disse que o Estado panamenho “agiu com desrespeito ao Estado de direito, como evidenciado pelas últimas medidas para invadir e apreender os ativos da PPC tomadas ontem pelo Estado”, acrescentando que a empresa e os investidores reservam-se todos os direitos aplicáveis relacionados com esta emissão.
Autoridades do governo panamenho não responderam imediatamente a um pedido de comentários.
PPC ALEGA AQUISIÇÃO ILEGAL
No mês passado, o governo do Panamá invalidou acordos que conferiam à empresa o controlo de dois portos no canal, na sequência de uma decisão judicial que considerou os acordos inconstitucionais.
Na sexta-feira, a PPC disse que se opôs repetidamente ao que chamou de apreensões ilegais de portos e confisco de ativos da empresa, incluindo informações confidenciais e legalmente protegidas.
Segundo a empresa, as autoridades ignoraram os pedidos de salvaguardas para proteger os dados confidenciais da empresa e na quinta-feira “entraram numa instalação de armazenamento privado sem aviso prévio e removeram materiais relacionados com processos judiciais em curso”. A empresa disse que isso mostrou “que o estado violou o devido processo na aquisição.
“A República do Panamá demonstrou durante o ano passado, e especialmente na semana passada, que os investidores estrangeiros não podem confiar no quadro legal ou contratual do Estado panamenho”, disse PPC.
A Reuters relatou a busca na quinta-feira depois que ela foi confirmada por uma pessoa familiarizada com a operação. A fonte não quis ser identificada porque a informação não foi divulgada.
A fonte disse que a operação contra a PPC não estava relacionada com a decisão do governo de anular os acordos que davam à empresa o controle dos portos de Balboa e Cristobal.
“Esta é uma investigação independente conduzida exclusivamente pelo Ministério Público do Panamá no exercício da sua autoridade legal”, afirmou o governo panamiano num comunicado quinta-feira, sem revelar qual a empresa visada.
Antes do ataque, o presidente panamenho, José Raul Mulino, disse que não sabia o que Pequim poderia fazer depois que CK Hutchison perdesse os seus portos.






