O bebê macaco Punch conquistou corações em todo o mundo por se agarrar a um brinquedo de pelúcia depois que sua mãe o rejeitou, refletindo um famoso e cruel experimento de apego precoce.
Nascido em julho de 2025, o filhote de macaco foi abandonado pela mãe e criado no Zoológico da cidade de Ichikawa, no Japão.
Lutando para se encaixar no resto do grupo devido ao seu status inferior na hierarquia, ele é frequentemente empurrado para o chão pelos macacos mais velhos.
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Para acalmar a sua ansiedade e solidão, os tratadores do zoológico deram-lhe um brinquedo macio de orangotango da IKEA, que rapidamente se tornou seu companheiro constante, já que os bebês macacos muitas vezes se agarram às mães durante o primeiro ano de vida.
Os vídeos mostram Punch carregando sua representante “mãe” de pelúcia, abraçando-a e buscando conforto após uma briga com sua equipe, e desde então se tornaram virais.
Longas filas se formaram do lado de fora de seu recinto no Zoológico da cidade de Ichikawa enquanto os visitantes se aglomeravam para ver Punch, enquanto o brinquedo de pelúcia se esgotava nas lojas de todo o mundo. A IKEA até enviou brinquedos extras de orangotango para ele se divertir.



Mas há mais na história de Punch do que apenas um momento viral.
O professor Mark Nielsen, da Universidade de Queensland (UQ), disse que o apego do macaquinho ao seu brinquedo lembrava um famoso experimento dos anos 1950 do psicólogo americano Harry Harlow.
Harlow retirou os macacos rhesus de suas mães e deu-lhes duas “mães” substitutas: uma feita de arame que fornecia comida e bebida em um pequeno comedouro, e outra coberta com toalhas macias de algodão.
“Essa boneca é macia e confortável, mas não fornece comida nem bebida; nada mais é do que uma figura peluda na qual o macaquinho pode se agarrar”, explica Nielson.
“Portanto, temos uma opção que proporciona conforto, mas sem comida ou bebida, e uma opção que é fria, dura e mastigável, mas que fornece nutrição à dieta”.
A experiência desafiou a visão dos behavioristas da época, que sustentavam que os primatas, incluindo os humanos, formam apegos baseados em recompensas e punições e seguem quem satisfaz as suas necessidades físicas.
Portanto, os pesquisadores esperavam que os macacos ficassem com a corda “mãe” fornecendo comida.


Mas isso não aconteceu: os bebés primatas passavam a maior parte do tempo agarrados à sua “mãe” macia e coberta com uma toalha, mostrando que o conforto e o cuidado emocional são muito mais importantes do que apenas serem alimentados.
“Hoje, consideramos os experimentos de Harlow cruéis e cruéis”, disse Nielsen.
“Você não separaria um bebê de sua mãe e faria esse experimento, então não deveríamos fazer isso com primatas.
O zoológico não conduziu o experimento, mas a situação de Punch refletiu involuntariamente a pesquisa de Harlow.
A configuração é natural, mas os resultados são muito semelhantes.
“É interessante ver as pessoas fascinadas por esta semelhança com uma experiência realizada há mais de 70 anos”, disse Nielson.
“Punch não é apenas a mais nova celebridade animal da Internet, mas também um lembrete da importância de nutrir emoções.
“Todos nós precisamos de espaços suaves. Todos nós precisamos de espaços seguros. O amor e o calor são muito mais importantes para a nossa saúde e funcionamento do que apenas a nutrição física”, diz Nielsen.
A experiência ajudou a moldar a moderna teoria do apego, que sustenta que o desenvolvimento saudável depende da formação de laços emocionais seguros pelas crianças com cuidadores atentos.
Sem carinho e apoio emocional, mesmo uma criança bem nutrida pode não formar um apego seguro.
O bicho de pelúcia de Punch pode não fornecer comida, mas dá a ele exatamente o que ele precisa, uma presença segura e reconfortante após ser rejeitado pela mãe.
Desde que formou um vínculo doloroso com sua elegante “mãe” substituta, Punch começou a fazer amizade com os outros macacos em sua jaula, subindo lentamente na escala social enquanto sempre mantinha seu querido brinquedo por perto.






