CIDADE DO MÉXICO (Reuters) – A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta terça-feira que está considerando tomar medidas legais após comentários do bilionário da tecnologia Elon Musk, o homem mais rico do mundo, que a acusou de ligações com cartéis de drogas.
A postagem de Musk no X seguiu-se à captura e assassinato do líder do cartel Jalisco New Generation (CJNG), Nemesio Oseguera, “El Mencho”, pelas forças de segurança mexicanas.
Na postagem, Musk respondeu a um vídeo de 2025 de Sheinbaum discutindo a violência do cartel e alegou que ela “diz o que os chefes do cartel mandam”. Ele não forneceu mais nenhuma evidência.
“Estamos considerando se devemos tomar medidas legais”, disse Sheinbaum durante sua entrevista coletiva matinal diária, acrescentando que os advogados do governo estavam “atualmente analisando este assunto”.
No vídeo de 2025, Sheinbaum afirmou que o retorno à “guerra às drogas” não é possível.
“Regressar à guerra contra as drogas não é uma opção… está fora do âmbito da lei”, disse ela.
Uma ofensiva militar contra os cartéis liderada pelo ex-presidente Felipe Calderón em 2006 levou a sangrentas lutas pelo poder à medida que os gangues se desintegravam, desencadeando uma espiral de violência que muitos analistas acreditam ser a razão para a ainda elevada taxa de homicídios.
Sheinbaum disse esperar que a situação de segurança continue a se normalizar no México depois que membros do cartel coordenaram uma série de bloqueios de estradas e ataques incendiários após a operação governamental de domingo contra Oseguera.
Questionado se a operação marcaria um regresso a uma postura de segurança mais dura, Sheinbaum disse que esse nunca seria o caso.
“Deter um suspeito de crime com um mandado de prisão pode resultar neste tipo de circunstâncias, mas procuramos a paz e não a guerra”, disse ela.
A presidente do partido governista MORENA, Luisa Alcalde, também reagiu à postagem nas redes sociais, dizendo que Musk deveria usar sua plataforma e rede social X para combater o consumo de drogas, a dependência, a desinformação e impedir a promoção da cultura das drogas.
“A riqueza não confere autoridade moral”, disse ela. “As vidas perdidas nesta luta, muitas vezes alimentadas pelo consumo noutros países, valem infinitamente mais do que qualquer fortuna acumulada em Silicon Valley.”
Mais de 130 mil pessoas estão desaparecidas no México, onde grande parte da violência no país está ligada a cartéis de droga que vendem produtos aos Estados Unidos e obtêm armas de fogo dos Estados Unidos.
(Reportagem de Aida Pelaez-Fernandez; edição de Natalia Siniawski)






