Você confia nos seus olhos em voo? Conheça os riscos da ilusão visual - Aeroagora

‘Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.’ (Nietzsche)

Uma das coisas mais difíceis sobre ser humano, são nossas limitações. Por mais que sejamos pilotos de alto desempenho, não estamos isentos de certas situações. Uma delas, e talvez uma das mais preocupantes para os aviadores, são as ilusões visuais. Esta ingrata situação é um risco presente em qualquer cockpit, com tempo bom, boas condições de visibilidade ou não. Isto porque os olhos enganam, bem como os sentidos. Em breve escreverei sobre ilusões sensoriais, mas antes, vamos entender o que os olhos veem e o corpo não sente.

 

 

Ilusão de Perspectiva Linear

Um piloto em aproximação final deve regular seu pitch para que realize um toque dentro dos limites operacionais da pista e do equipamento voado. Até aqui, sem novidades. Mas o que pode acontecer é que pistas com diferentes larguras, upslope, ou downslope podem fazer com que pilotos mudem a razão de descida, seja aumentando ou diminuindo, o que ocasionará um (toque brusco)  catrapo ou mesmo um longo flare.

Isso acontece porque os pilotos estão muitas vezes acostumados com a operação em um determinado aeroporto, onde já se situaram com a altura do cockpit em relação ao solo, a largura da pista, e durante a aproximação recordam de uma imagem mental da relação esperada entre o comprimento e largura da pista. Logo, hábito: deixa (altura visual) / rotina (power-off / flare) / recompensa (catrapo / long landing).

Isso acontece com mais frequência em pistas com aclives, declives, pista longa ou estreita, logo o que pode acontecer é que o piloto aumenta a razão de descida, buscando a imagem mental que está acostumado, e CFIT (Controlled Flight Into Terrain).

 

 

 

Black Hole

Sabe tudo isso que falamos acima? Pois é pode piorar. De noite, aproximações sem estrelas, luar, sobre água ou terreno apagado, para uma pista iluminada em que o horizonte não é visível pode gerar um efeito muito desagradável. Os pilotos muitas vezes com confiança prosseguem usando seu ‘visumento’ em vez de depender unicamente dos instrumentos. Como resultado isso pode levar o piloto a experimentar um GPO ou glide path overestimation. Sem sinais periféricos permitindo uma orientação em relação à terra, pode haver uma ilusão de que a pista está inclinada, e ai meu caro… Inicia-se uma razão de descida agressiva para (erroneamente) ajustar uma aproximação e muitas vezes fazer uma rampa bem abaixo do seguro. Mais uma vez? CFIT.

 

Ilusão Autocinética

Esta ilusão pode ocorrer à noite sobre pistas com baixa condição visual. Ela dá o piloto a impressão de que um objeto fixo está se movendo na frete do avião. Ela é causada por ficar olhando para um único ponto fixo de luz sem traços característicos em um fundo totalmente escuro. O que acontece é que ela pode causar uma percepção equivocada de que esta luz está em rota de colisão com a aeronave.

 

Falsas Referências Visuais

Acontece quando o piloto oriente a aeronave em relação a um falso horizonte. Esta ilusão acontece principalmente quando se voa sobre um nevoeiro, que está sobre uma cidade, ou terreno iluminado, a noite.

 

Ilusão Vetorial

Acontece principalmente durante o taxiamento da aeronave. Sabe quando você está no trânsito, ai o carro do lado começa a se movimentar e com sua visão periférica você acha que é você que está fazendo isso? Pois é..

 

 

Ilusão Ótica de Repetição

A cereja do bolo fica principalmente com helicópteros. Acontece quando a aeronave se move a abaixa altitude sobre uma superfície que tem um padrão de repetição regular, como por exemplo as ondulações na água. Os olhos do piloto podem interpretar mal a altitude, e advinha? Sim. CFIT.

 

Ok. Toda essa ladainha pra…?

Bizonho, evitar as ilusões visuais é simples. Depende de simples atitudes e mudanças de hábito. Tudo acima mencionado pode ser evitado simplesmente usando corretamente os instrumentos da sua aeronave, e mantendo-os em dia. Instrumentos OK? IFR Checked?

Então falemos de você. Fadiga, desatenção, erros de julgamento, falha de treinamento são erros que podem ser evitados com um simples descanso, e humildade. Não tem experiência com o cockpit que está voando? Beleza… Algum amigo, aqueles comandantes urubus, devem ter. Então, peça ajuda.. Voe algumas horas dividindo o cockpit, compartilhe seu conhecimento e experiência.

Caso seu aeródromo não possua ILS/RNAV/RNP, respeite os auxílios visuais que estão dispostos pra você como VASI, PAPI, PVASI e etc… Respeite a carta IFR… Ela não foi feita só pra tampar o sol.

Fly Safe, folks.

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