Vento Cruzado: Mito, Verdade e Técnica - Aeroagora

Uma das situações de voos mais desafiadoras para pilotos é o vento cruzado. É um tanto quanto preocupante, quando você se aproxima de seu destino e encontra os ventos de 23 nós, e 50 ou 60 graus (ou até mais) fora do rumo da pista. Bem, dependendo da aeronave que está operando o pouso pode se tornar mais estressante, ainda mais se você está à tempos sem praticar esta situação, ou mesmo é um piloto aluno.

Quando se trata de vento de través, temos basicamente duas opções de aproximação: caranguejar ou voar a técnica ‘wing-low’ . No entanto ambos métodos possuem vantagens e desvantagens.

Caranguejando

A técnica é simples: apenas aponte o nariz da sua aeronave para o lado de onde vem o vento, deslocando o nariz poucos graus do rumo da pista. Isso irá impedir que sua aeronave derive para esquerda ou direita da ‘center line’. Basicamente, mantemos esta configuração durante toda aproximação, e pouco antes da aterragem, pisamos no leme para alinhar o nariz com a pista e usamos os ailerons para evitar a deriva com o vento.

A técnica de caranguejar é a mais simples, mas requer atenção e uma perfeita cronometragem para alinhar a aeronave pouco antes do toque. Esta técnica é uma boa pedida, pois vale tanto para monomotores á pistão como para jatos comerciais.

Mas lógico, cada aeronave tem suas peculiaridades com relação a inércia do alinhamento. Devemos nos ater a condição no momento. Esta técnica exige um maior domínio da aeronave, pois envolve uma repentina mudança de configuração a baixa altura, e uma rajada acompanhada de um piloto desatento, pode gerar uma CFIT (Controlled Flight Into Terrain), ou no bom português, colisão com o solo em voo controlado.

Wing-low

O método wing-low é uma das maneiras mais fáceis de se conseguir um belo toque em pouso com vento cruzado, isto é, maioria dos casos em aeronaves leves. Para fazê-lo é simples: você usa seu leme para alinhar o nariz com a pista, e os ailerons para corrigir a deriva para esquerda ou direita, durante toda a trajetória final. Essencialmente, você está glissando lateralmente.

Este método pode se tornar um pouco complicado pois o intuito é o cruzamento de comandos, afim de manter-se alinhado com a pista. Quando se está começando, é um tanto quanto difícil entender a funcionalidade de cada item mas com o tempo e aperfeiçoamento entende-se:

  1. Busque o alinhamento da pista com o leme;
  2. Use os ailerons para derivar para esquerda ou direita;

Esta técnica é também a ideal para se manter o eixo em decolagem com vento cruzado. No entanto esta técnica tem um detalhe muito importante: quando a aeronave começa a desacelerar, os comandos de voo tornam-se menos eficazes. Isto porque, essencialmente não há mais fluxo de ar passando por eles. Isto fará com que você tenha que aplicar mais leme para se manter alinhado com a pista, e logo em seguida, aileron para manter a asa baixa, evitando que o barlavento levante as asas.

‘Você vai querer beijar solo… só uma bitoquinha’

Quem já assistiu a animação Madagascar 2 lembra-se da emblemática cena dos pinguins pousando seu (pseudo) Douglas DC-3. O toque de um trajetória em wing-low pode se tornar um verdadeiro desastre dependendo das condições meteorológicas.

Logo a correta sequencia de toque é:

  1. Toque a roda do trem de pouso do lado da asa baixa, onde ocorre o barlavento;
  2. Toque a rota do trem da asa alta;
  3. Toque o trem do nariz;
  4. Controle a aeronave da pista com o leme, mantendo a aplicação de aileron;

No solo

A guinada proporcionada pelo vento de través pode te tirar da pista, por isso é muito importante manter a deflexão contínua e lenta dos ailerons, enquanto o aeronave percorre a pista em desaceleração. O objetivo é que na total parada da aeronave, o aileron esteja completamento defletido para o lado do vento. Isto torna sua aeronave mais firme em solo, evitando inclusive que rajadas o retirem do solo novamente, ou seu controle no solo.

Qual a velocidade segura para um pouso de vento cruzado?

De acordo com a FAA, as aeronaves devem ser controláveis com pouco grau de perícia ou concentração adicional por parte dos pilotos, em vento cruzado de 90 graus, em uma velocidade velocidade igual a 0,2 de Vso (Velocidade de Stall / Velocidade Mínima em Configuração de Pouso).

 

Isto significa que quando a velocidade do vento tiver pelo menos 20% da velocidade de perda do avião, com trem de pouso e flaps baixados, (de acordo com a FAA) você deverá apresentar um grau excepcional de habilidade para pousar a aeronave em segurança.

No entanto bom senso é essencial: se você estiver voando e está impossível de manter o nariz alinhado usando as técnicas acima, as condições estarão bem além das capacidades da aeronave, e porque não, suas. Se este for o caso, escolha uma pista mais favorável, ou mesmo um aeródromo diferente.

Lembre-se: “um ótimo piloto é aquele que evita as condições que um bom piloto consegue sair.”

Flaps: usar ou não usar, eis a questão…

Quando se pousa com vento cruzado, flaps geralmente ajudam a estabilizar a aeronave, tornando mais fácil o pouso e o toque. Quem já pousou sem flap, seja por escolha ou mesmo por necessidade, sabe o quão duro é conseguir acertar a mão.

Um dos poucos dias que você não vai querer usar ‘full flap’ é em dias de rajadas de vento. O uso de menos flap nos ajuda com duas vantagens: um maior pitch que nos ajuda a estabilizar a velocidade, e ter menos mudanças de atitude até o toque, e um pouso com uma velocidade ligeiramente acima, o que lhe dará maior controle no solo após o toque.

Os sete erros a não serem cometidos:

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