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BELO HORIZONTE – Na década de 20, uma das maiores companhias aéreas que o mundo já conheceu, estava preste a nascer. A criação de uma empresa aérea brasileira surgiu na mente do alemão Otto Ernet Meyer Labastille. Ele emigrou para o Brasil em 1921, contratado por uma empresa alemã em Recife, e tentou criar uma companhia aérea na cidade, mas só encontrou apoio necessário em Porto Alegre.

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Em 1926, Otto Meyer viajou para Alemanha em busca de funcionários experientes e aeronaves, no país alemão ele fez um acordo com a companhia alemã Condor Syndikat, ela forneceria um avião e funcionários em troca de 21% dos lucros da empresa brasileira. Após o período de negociações, no dia 7 de maio de 1927, foi criada oficialmente a Viação Aérea Rio Grandense, a VARIG.

O primeiro avião da empresa foi o Dornier Wal, com capacidade para 9 passageiros, batizado de “Atlântico”.Sua primeira rota ficou conhecida como a “Linha da Lagoa”, que ligava Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande, em baixas altidudes entre 65 a 165 pés, cerca de 20 a 50 metros de altura sobre a Lagoa dos Patos, aproximadamente a 296 knots, cerca de 160km/h.

Foto: Autor desconhecido

No final de 1927, a VARIG recebeu sua segunda aeronave, o Dornier Merkur, batizado de “Gaúcho”. Ainda na década de 20, a companhia totalizou 4 aeronaves na frota, com mais dois Klemm L-25, que eram eram utilizadas para o transporte de malas postais e propaganda da aviação comercial em cidades do interior do Rio Grande do Sul.

Foto: Autor desconhecido

Em 1930, a VARIG teve que devolver o “Atlântico” e o “Gaúcho”, devido a saída da Condor Syndikat de sua sociedade. Sem aeronaves para transportar passageiros, a VARIG buscou ajuda com o governo do Rio Grande do Sul, a companhia ganhou um terreno para construir um hangar e adquiriu novas aeronaves Junkers. A aviação brasileira entrava na era dos monomotores terrestres, e a VARIG construiu pistas de pousos e decolagens nas cidades do interior do sul do país, com áreas demarcadas e sem qualquer tipo de balizamento.

Foto: Autor desconhecido

Seus destinos na década de 30, eram Porto Alegre, Santa Maria, Livramento, Santa Cruz, Cruz Alta, Santana do Livramento e Uruguaiana. o Junkers JU52, Capaz de transportar 17 passageiros, a aeronave era um “Jumbo” para época, e só entrava em operação quando havia passageiros suficientes. finalizando a década de 30 com 9 aeronaves na frota.

Foto: Autor desconhecido

Na década de 40, a a maioria da frota da VARIG era composta de aeronaves alemãs e, com a Segunda Guerra Mundial, se tornava cada vez mais difícil conseguir peças para essas aeronaves, forçando assim uma renovação da frota. Então, a companhia adquiriu o De Havilland Dragon Rapide, de origem inglesa, com ele, a VARIG iniciou seu primeiro voo internacional entre Porto Alegre e Montevidéu, no dia 5 de agosto de 1942.

Foto: Lgtrapp

Com a entreda do Brasil na Guerra, Otto Meyer se afastou da empresa para protegê-la, em seu lugar, assumiu Rubem Martin Berta, o primeiro funcionário da VARIG, que começou a trabalhar com 19 anos na companhia e se tornou presidente em dezembro de 1941.

Em 1943, a VARIG encomendou oito Lockheed Electra para a sua expansão e renovação da frota. Foi com o Electra que teve inicio a padronização da frota e o serviço de bordo na VARIG. Uma caixa de lanches frios era distribuída aos passageiros pelo copiloto, pois na época não existiam comissários. Após o fim da Segunda Guerra, a companhia adquiriu uma grande quantidade de aeronaves remanescentes da Guerra, como Douglas DC-3/C-47 e Curtiss C-46.

O primeiro DC-3 foi incorporado em 1946, que operavam em quase todas as rotas da VARIG, incluindo para Montevidéu e Buenos Aires. No dia 27 de agosto de 1946 foi inaugurada a linha Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro com os mesmos DC-3.
Além da expansão de rotas para cidades no interior de Santa Catarina e Paraná, além das capitais Florianópolis e Curitiba.

Foto: Christian Volpati

O primeiro Curtiss C-46 foi incorporado na frota da VARIG em 1948, que tinham três configurações básicas: Luxo, Mista e Cargueiro. A versão Luxo tinha assentos maiores e mais confortáveis, porém tinham uma tarifa mais cara. O Curtiss C-46 versão Cargueiro foi a primeira aeronaves puramente cargueira operada pela VARIG. No final dos anos 40, VARIG contava com 15 aeronaves na frota.

Em 1952 a VARIG comprou a Aero Gal, o que possibilitou a companhia a expandir suas linhas para o Nordeste, passando a atender a também Vitória, Salvador, Maceió, Recife, João Pessoa e Natal. Em 1953 a rota para Montevidéu foi expandida para Buenos Aires, o segundo destino internacional da VARIG. O primeiro voo decolou no dia 30 de junho, na rota Rio de Janeiro – São Paulo – Porto Alegre – Montevidéu – Buenos Aires, operado com o Curtiss C-46 três vezes por semana.

Foto: Helio Bastos Salmon

Em 1953 a VARIG sofreu uma reestruturação completa depois que recebeu autorização do governo para operar voos aos Estados Unidos. Para isso a companhia encomendou aeronaves Convair 240 e os quadrimotores Lockheed Super Constellation.

Foto: Divulgação

Em julho 1955, decolou o primeiro voo da VARIG com destino a Nova York. Inicialmente eram dois voos semanais que partiam do Rio de Janeiro para Nova York, com escala em Belém, Port of Spain e Santo Domingo. Com o voo para os EUA, a VARIG contratou pela primeira vez, comissárias mulheres, pois até então, somente homens atuavam nessa função. Para manter a sua posição de pioneira e estar a frente de seus concorrentes, a VARIG encomendou os primeiros jatos Boeing 707, em setembro de 1957, e Caravelle em outubro.

Em setembro de 1959 chegou o primeiro jato do Brasil, o Caravelle da VARIG. Primeiramente os Caravelle foram utilizados na rota para Nova York. A VARIG foi a primeira companhia do mundo a operar um jato puro no aeroporto JFK em Nova York. A companhia encerrou a década de 50 com 48 aeronaves na frota.

Foto: Claudio Roberto Scherer

No dia 22 de de junho de 1960 pousou no Galeão o primeiro voo da VARIG vindo de Nova York com o Boeing 707-441. Com o B707, a VARIG foi a primeira companhia a oferecer voos sem escalas entre o Rio de Janeiro e Nova York. Em agosto de 1961 a VARIG comprou o consórcio Real-Aerovias-Nacional, que estava em dificuldades financeiras. Sendo assim, a VARIG se tornou líder no mercado doméstico e expandiu sua malha internacional para Lima, Bogotá, Caracas, México, Miami e Los Angeles. Com a conclusão da compra da Real-Aerovias-Nacional, a malha nacional da VARIG passou a atender mais de 90 cidades no Brasil.

Foto: Eduard Marmet

Ao decorrer da década, a VARIG passou a ser a líder também no mercado internacional, quando herdou as rotas para Europa da Panair do Brasil. Para isso, a companhia ampliou a sua frota de jatos intercontinentais, incorporando Boeing 707-300 e Douglas DC-8-33.
Com aeronaves mais eficiêntes na época, passou a atender vários destinos na Europa e Oriente Médio como Lisboa, Madrid, Roma, Paris, Frankfurt, Londres e Beirut se consolidando como a maior companhia aérea da América Latina.

Foto: Christian Volpati

Em dezembro de 1966, Ruben Berta faleceu, em seu lugar entrou o carioca Erik Kastrup de Carvalho, que anteriormente trabalhava na Panair. Erik Kastrup de Carvalho, continuou a expansão internacional da VARIG, que em 1968, lançou a linha para Tokyo. Na malha nacional, a VARIG recebeu os quadri-motores Lockheed Electra II, no qual, substituíram os Convair 240 e Caravelle 1, nas principais rotas domésticas incluindo a ponté aérea Rio-São Paulo. No fim dos anos 60, a companhia já possuia 91 aeronaves na frota.

Foto: Charles Osta

Os anos 70, foi marcado pela maior presença dos jatos nas rotas domésticas e pela chegada dos wide-body. No mercado doméstico chegaram os Boeing 727 e Boeing 737, além dos turbo-hélice “Avros”. Os Electra II passaram a operar somente na Ponte Aérea Rio-São Paulo. De 1975 a 1987.

Foto: Pedro Aragão

Em abril de 1980 o gaúcho Hélio Smidt assume a presidência da VARIG, que sob seu comando, acrescentou mais linhas domésticas e internacionais à sua rede, dando porém especial atenção às rotas domésticas para o interior do Brasil. Hélio Smidt também assegurou a modernização da frota através da incorporação dos Boeing 737, 747 e 767.

No dia 12 de fevereiro de 1981 decolava o primeiro “Jumbo” da VARIG. A companhia tinha acabado de adquirir três Boeing 747-200, o maior avião comercial da época. Inicialmente o B747 operou na rota Rio de Janeiro – Nova York e foi um sucesso imediato entre os passageiros. Tanto, que anos mais tarde, em 1985, a VARIG adquiriu mais duas unidades, dessa vez do modelo Boeing 747-300.

Foto: Aero Icarus

Em 1987 chegaram os jatos wide-body da nova geração, os Boeing 767-200ER. A VARIG foi a primeira companhia do mundo a operar o B767 equipado com motores General Electric.

Foto: Divulgação

Em 1988, a modernização da frota chegou nas rotas domésticas, com os primeiros Boeing 737-300. Eles passaram a ser a principal aeronave para voos de curta e média duração, substituindo inclusive os famosos Electra II na Ponte Aérea Rio de Janeiro – São Paulo.
A VARIG encerrou a década de 80 com 85 aeronaves na frota.

Foto: Stephan Klos Pugatch

Em abril de 1990, o gaúcho Rubel Thomas foi eleito presidente da VARIG, que a liderou no difícil período que atingiu duramente toda a indústria de transporte aéreo. Porém, até 1996, a VARIG teve outros dois novos presidentes, em abril de 1995, foi eleito um novo presidente, Carlos W. Engels, que administrou o período de transição que a VARIG atravessava. Uma outra eleição trouxe um novo presidente, Fernando Abs Cruz da Souza Pinto, ele assumiu a Presidência da VARIG em janeiro de 1996.

Mas o inicio da década de 90, a companhia iniciou com os dois maiores e mais modernos jatos da época, o MD-11 e o Boeing 747-400, ambos chegaram em 1991. A VARIG foi uma das primeiras companhias aéreas do mundo a operar o MD-11, que se tornou a principal aeronave para voos internacionais.

Foto: Paul Morley

Além de renovar a frota, a VARIG também expandiu ainda mais a sua malha internacional com o lançamento da rota São Paulo – Johanesburgo – Bangkok – Hong Kong, em 1993.
A empresa também reforçou a sua presença nos EUA com voos para Orlando, Washington, Atlanta e Chicago.

Em 1994 a VARIG lançou o seu programa de fidelidade Smiles, que logo se tornou o maior da América Latina. No ano seguinte, o grupo VARIG ficou maior, com a aquisição de 49% da companhia aérea uruguaia Pluna e a aquisição da Nordeste pela Rio Sul.

Foto: Courtesy of Eric Trum Collection

Em 1996 surgiu uma nova VARIG, com o lançamento da nova identidade visual da empresa. A rosa dos ventos ganhou novas cores, amarelo e dourado, e o logotipo Varig ganhou o nome “Brasil” estilizado.

Foto: Divulgação

a VARIG deu mais um passo importante em sua história ao entrar na Star Alliance, em novembro de 1997. Em 1998 que a VARIG se tornou a primeira companhia da América Latina a operar a nova geração de jatos da Boeing, os Boeing 737NG, com o inicio da operação regular com o Boeing 737-700. Com esta renovação na frota com aeronaves modernas, a VARIG encerrou a década com 76 aeronaves na frota.

Foto: Christian Volpati

Em outubro de 2000 a VARIG criou a Varig Log, que já nasceu como a maior companhia aérea cargueira da América Latina. O final do ano de 2001 representou um grande marco na história da VARIG com a chegada do primeiro Boeing 777-200ER e Boeing 737-800 equipado com winglet.

Foto: Nicolas Kersting

Entretanto o ano de 2001 também foi marcado por uma profunda crise no setor aéreo, que afetou todas as empresas ao redor do mundo. No Brasil, as duas maiores companhias aéreas, VARIG e Tam, iniciaram um acordo de code-share no mercado doméstico em 2003, encerrado no mesmo ano.

Nos anos de 2003 e 2004, a VARIG passou por uma reestruturação, que culminou na fusão com as suas subsidiárias regionais Rio Sul e Nordeste. Após a fusão, a frota da VARIG alcançou mais de 120 aeronaves, e incorporou novos Boeing 737 e Embraer ERJ-145.

Foto: Carlos A. Morillo Doria

Em 2004, a VARIG recebeu novos Boeing 777 e começou a operar com o Boeing 757-200. A empresa também se tornou a primeira companhia da América Latina a operar para a China. Juntamente com a Air China, a VARIG começou a vender bilhetes na rota São Paulo – Munique – Pequim.

Foto: Juliano Damásio

Apesar dos esforços, a VARIG precisou entrar com um pedido de recuperação judicial em 2005. Para se capitalizar, a empresa vendeu a VEM (Varig Engenharia e Manutenção) para a Tap e a Varig Log para a Volo Brasil. Em julho de 2006 a VARIG foi dividia em duas empresa e leiloada. A “nova Varig” continuou a operar com a licença da VARIG até obter a sua própria licença para operar. No dia 14 de dezembro de 2006 foi realizado o ultimo voo da VARIG.

REDAÇÃO – AEROAGORA 

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1 COMENTÁRIO

  1. Fantástica a reportagem. Parabéns. Toda narrativa conta a história da aviação comercial no Brasil e o nascimento de uma companhia aérea que depois se tornaria a maior da América Latina. Empresa esta que quanhou premios pela excelência na manutenção e melhor serviço de bordo do mundo em um determinado ano. É triste ver uma grande empresa como está terminar as suas operações como também a Transbrasil e Vasp. Este é o quadro onde a variação cambial e a falta de investimentos no setor pela ausência do poder público levou a falência desta empresas. Hoje pelo mesmo motivo, as empresas atuais vem passando por processos de reestruturação e adequação para se materem vivas.

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