RIO DE JANEIRO – Geralmente, quando um produto ou serviço é bem aceito pelo povo, logo vira febre e alcança a popularidade entre um nicho de consumidores. No Brasil, podemos citar dentro da indústria automotiva o Chevrolet Opala (que entre 1968 a 1992 vendeu 1 milhão de unidades), o Volkswagen Gol (que continua sendo fabricado até hoje, sendo um dos carros que mais ficou no topo de mais vendido, perdendo o posto pro novato Chevrolet Ônix).

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Com o setor aeronáutico não foi diferente: o Electra sempre foi o ‘queridinho’ de quem utilizava a Ponte Aérea Rio-São Paulo, seja diariamente para negócios, ou esporadicamente. Seu luxo marcou essa geração, além de pilotos, comissários e equipes de manutenção.

Lançado na década de 1950 pela Lockheed, o Electra começou sua fama no Brasil em setembro de 1962, quando o primeiro exemplar, matriculado como PP-VJM, chegou por aqui. Os outros quatro primeiros chegaram no mesmo ano e foram utilizados em linhas domésticas como São Paulo – Rio de Janeiro – Recife – Fortaleza e São Paulo – Rio de Janeiro – Manaus. Alguns chegaram a ser utilizados na rota Rio de Janeiro – Nova York, servindo como reforço para os Caravelle e os Boeings 707. As aeronaves faziam a rota São Paulo – Rio de Janeiro – Belém – Port of Spain – Santo Domingo – Nova Iorque semanalmente. Por algum tempo esses aviões ainda realizaram o “Voo da Amizade” ligando o Rio de Janeiro a Lisboa com escala em Recife e na Ilha do Sal. O primeiro voo para Lisboa foi inaugurado pelo PP-VJO, no dia 22 de novembro de 1965.

O público sinalizou que a aeronave caiu no gosto dos usuários e a VARIG adquiriu mais unidades do modelo, entre os anos de 1968 e 1970, chegando a usar versões “conversíveis”: levava tanto carga, quanto passageiros. Duas dessas aeronaves (PP-VLA e PP-VLB) foram utilizadas para voos cargueiros, principalmente para Manaus. Porém, sua operação nesta configuração foi breve e as duas aeronaves foram convertidas para passageiros, mantendo a configuração até o fim das operações.

Voar no Electra era uma experiência ùnica: em dias ensolarados, os voos costumavam a ser pelo litoral e à baixa altitude, tudo para aproveitar a bela vista que o Rio proporciona. Seus 90 passageiros viajavam confortavelmente aproveitando o refinado serviço de bordo que a VARIG oferecia. Entre a década de 1980 e 1990, as aeronaves PP-VJN, PP-VJU, PP-VJE e PP-VLC voavam apenas com a pintura básica da empresa riograndense, devido ao pool de operação da Ponte Aérea. Porém, em 1992, veio a notícia: o bravo guerreiro estava com seus dias contados. Em seu lugar, entrariam os Boeings 737-300, rápidos e com maior capacidade de carga/passageiros.

No dia 6 de janeiro de 1992, a aeronave fez seu voo de despedida com inúmeros convidados e todos os detalhes milimetricamente revisados – afinal a circunstância se fazia necessária. A aeronave partiu para seu voo derradeiro e a bordo, choro, emoções e a maravilhosa lembrança de ter sido extremamente útil para movimentar uma das rotas mais movimentadas do mundo por 30 anos, sem acidentes fatais ou com perda total.

 

PS: Dedico, em nome de toda a equipe Aeroagora, essa singela coluna especialmente ao Comandante Sergio Lott, pessoa de simpatia e atenção ímpar, e que realizou a última jornada com os Electra no país. A ele e demais pilotos, mecânicos, engenheiros de voo, comissárias(os) de bordo que fizeram história junto com essa bela máquina, o nosso muito obrigado.

Redação – Aeroagora

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4 COMENTÁRIOS

  1. Memórias de uma viagem do Rio a Belém em 1969 no Eletra II ficaram marcadas como uma das mais ricas lembranças da adolecência, onde meus pais me aguardavam no Val de Cães para outra viagem à Santarém. Desta vez em um DC3!
    Não se apaga da memória a beleza e o carinho da comissária de bordo, ou aquele Filé Mignon com arroz a Piamontese com ramo de salsa e tudo mais com sobremesa de sorvete nos pratos, talheres e guardanapos de pano grosso! Fui tratado como Principe!

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  3. Que emoção ler está linda homenagem ao inesquecível Electra. Trabalhei por longos anos na presidência da Varig e essas aeronaves que planavam no ar fizeram parte de minha vida ! Parabéns a toda equipe do Aero agora!

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