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VITÓRIA – Nessa semana, em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, tive o prazer indescritível de poder entrevistar uma comandante que é referência na Universidade Anhembi Morumbi, extremamente simpática e tem um coração cheio de amor pela aviação.

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Paula Babinski tem 31 anos, é formada em Aviação Civil pela Universidade Anhembi Morumbi e especialista em segurança da aviação pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Atualmente trabalha em uma empresa aérea regular, na função de co-piloto de Airbus A320.

Paula, nos conte um pouco sobre você: De onde é? Aonde passou sua infância?

– Sou natural do Rio de Janeiro, mas moro em SP há muitos anos, onde passei minha infância.

Qual foi seu primeiro contato com a aviação? Você teve alguma influência na família?

– O primeiro contato real com a aviação, eu tinha aproximadamente 4 anos e fui visitar minha família nos EUA. Fiz o voo na antiga LAP. Começamos a taxiar e como estava muito ansiosa, virei para minha tia e perguntei: “a gente tá voando no chão?” – rimos desse episódio por muitos anos!

Não tive influência nenhuma da família. Aliás, quase que nenhum apoio… No começo foi bastante difícil convencer minha mãe a aceitar o fato de que eu queria voar.

Como você ganhou essa paixão por voar?

– Sempre quis trabalhar no aeroporto. Achava muito chique. Entrei para estagiar em uma grande empresa aérea regular em 2003 e lá comecei a ter contato com pilotos e comissários. Em pouco tempo eu já não me imaginava fazendo outra coisa da vida.

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

Qual foi a reação dos seus pais quando você falou que queria ser piloto?

– Minha mãe ficou um mês sem falar comigo e meu pai disse que apesar de não ter condições financeiras de me ajudar, me apoiava 100% caso fosse o que eu queria fazer da vida.

Antes de ser piloto, você já havia pensado em fazer ou já havia feito outros cursos? Se sim, Quais?

– Antes de ser piloto eu fazia curso de administração de empresas com ênfase em comércio exterior. Eu sempre quis viajar muito! Então achei o emprego perfeito!

Você teve alguma dificuldade durante sua formação?

– Dificuldade? Muitas! Todas! Pagar o curso foi a maior delas! Mas operacionalmente falando eu fazia miséria com o paulistinha mas não conseguia taxia-lo… Sofri para aprender! Paguei uma hora de voo só de táxi! Mas fiquei boa! hahaha. O pouso do convencional também demandou um esforço maior. Mas quando se aprende é muito prazeroso.

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

Como foi sua época de faculdade? Na turma tinham mais mulheres que seguiram o ramo da aviação?

– A faculdade foi boa. Pude compensar algumas matérias porque já tinha as carteiras de piloto. Não tinham muitas meninas na minha turma. Me lembro bem de uma que era minha amiga e sei que hoje ela trabalha numa empresa aérea mas não é piloto.

Você alguma vez já sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher e estar num ambiente predominado principalmente por homens?

– Preconceito sempre tem… Uma piadinha aqui uma risadinha ali… Eu sempre encarei na esportiva… Afinal era no avião que a gente provava que não tinha diferença!

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

Partindo um pouco pra aviação na prática: Nos conte um pouco sobre seu primeiro voo! Qual era a aeronave? Como era a sensação de conquistar os ares pela primeira vez?

– Meu primeiro voo foi num paulistinha de matricula PP-HPA, do aeroclube de Bragança Paulista… Foi absolutamente sensacional… Foi naquele momento que toda e qualquer dúvida que eu tinha sobre a minha vida se cessou. O primeiro voo é mágico. É a mesma sensação de estar pilotando um jato enorme! Só não supera a sensação do primeiro voo solo.

Foto: Rodrigo Durighello

Passados os anos de faculdade, horas voadas e brevês checados, o que você fez até conseguir seu primeiro emprego como piloto?

– Eu tive muita sorte no meu primeiro emprego como piloto. Tive um grande amigo e instrutor que me levou para voar com ele. Um Baron e depois um King Air. E como eu trabalhava de segunda a sexta, era muito bom porque o avião só voava de final de semana. O único porém, foi que demorou muito mais para completar as horas que as empresas aéreas pediam.

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

Quais aeronaves você pilotou antes de entrar em uma empresa aérea? E qual desses aviões foi o mais marcante pra você?

– Aeronaves voadas: Paulistinha, Aeroboero, Cherokee 140, Cherokee 180, Tupi, Corisco, Sêneca I, Baron, King Air C90, Queen Air e King Air B200. Sem dúvida a primeira é a mais marcante: O insuperável paulistinha!

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

Como é a Paula Babinski fora do cockpit? Nos conte um poucos sobre seus hobbies e sua vida fora dos aviões.

– Gosto muito de ler e estudar. Música também faz parte do meu dia a dia. Quando dá tempo ainda assisto algum filme… Sou meio caseira! Rs

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

Todo piloto tem uma história inesquecível dentro do cockpit: Momentos engraçados, aproximações difíceis.. Você gostaria de compartilhar com nossos leitores uma dessas histórias?

– Tive vários grandes momentos dentro do avião. Mas um que me marcou bastante foi com o avião no chão. Estava fazendo a preparação e uma menina de uns 4 anos quis me entrevistar. Me perguntou como era voar, eu tentei responder de uma maneira que ela entendesse, então disse-lhe… “Sabe quando você tem um sonho super gostoso à noite e de repente você acorda e vê que esse sonho é real? Então… Voar é isso, é realizar esse sonho todos os dias.”

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

 

Você é muito bem reconhecida nas instituições e nas empresas nas quais frequentou. Quais dicas você daria para termos mais Babinskis presentes na aviação?

– Dica: Só entre na aviação se for por paixão. Tem que ser massa do sangue. Não dá para voar só porque precisa de um emprego qualquer e esse parece legal… Voar é um estilo de vida. Um hábito e um habitat. É muito sofrimento e por vezes solidão. Não reclame. E estude muito!!!

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

Quais pessoas você considera especiais e que fizeram a diferença na construção do seu sucesso?

– Tive vários anjos na minha vida aviadora, em especial meu primeiro instrutor de voo do aeroclube, meu primeiro instrutor de simulador de Airbus, um aviador da FAB que me deu muito apoio e orientação, além de vários comandantes da empresa que voei que sempre tiveram paciência de me ensinar algo novo!

É comum ouvirmos alunos  de aviação falando de seus aviões dos sonhos. Você tem algum avião em específico que sonha ou já sonhou em pilotar?

– Sonho muito, desde que entrei nesse ramo em voar o A330… E atualmente o seu sucessor o A350! Mas o A330 sempre foi a menina dos meus olhos.

Foto: Gabriel Gatti

Hoje, qual é o seu maior objetivo dentro da aviação?

– Meu maior objetivo dentro da aviação é concluir meu mestrado em segurança da aviação e claro, ser promovida à comandante de jato.

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

Por fim: Gostaria de deixar alguma mensagem, dicas ou conselhos para os(as) futuros(as) aviadores(as) e leitores do Aeroagora?

– Acho que a dica eu já dei… Mas sem querer ser muito redundante, estudem…se preparem, e amem essa missão que abraçaram!

Foto: Acervo pessoal, Paula Babinski

Agradeço a Paula Babinski por ter dedicado seu tempo a essa entrevista. Saiba que esse momento é muito especial para nós e com certeza ele jamais será esquecido. A equipe Aeroagora deseja a você um feliz dia internacional da mulher. E fly safe, always!

Redação – Aeroagora

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3 COMENTÁRIOS

  1. A Paula é linda por dentro e por fora! Admiramos muito sua garra e força de vontade. É um exemplo de mulher profissional, principalmente num ambiente dominado por homens.

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