5 dicas para reconhecer uma boa escola de aviação - Aeroagora

Yo Folks, Wazzup?

‘Pilot Shortage’. Não é relaxante ouvir isso? A aviação precisará de 600 mil pilotos nos próximos 20 anos, afirma Boeing. Destes, 51.000 só na América Latina. De acordo ANAC, de 2012 á 2016 tivemos mais de 8.700 carteiras de piloto comercial e piloto de linha aérea emitida. Logo, ’em tese’, todos teremos nosso lugar ao sol em pelo menos 20 anos, certo? Bem, ‘masomenus’.

A formação de um piloto é uma coisa realmente delicada. Não pela complexidade dos estudos, mas sim porque cada vez mais, aeronaves, sistemas, auxílios e outros se atualizam e não vemos sobre isso. Por exemplo.. Você sabe o que é RNAV, não é? E RNP? Easy… E ADS-B? É só o ‘bang’ que usa pra localizar aeronaves no Flight Radar 24 ou FlightAware? Pois é… Nossa instrução infelizmente está bem defasada. Na realidade, a aviação no Brasil por completo está. Falando com um comandante de 777 da Korean Air, ele citou um aforisma incrível: ‘antigamente, para ser piloto precisava ser técnico.. hoje precisa ser doutor’.

Existem ainda diversos jargões como: ‘quem forma o piloto é o aluno, não a escola..’ ou ‘não é a qualidade da escola que faz o piloto’. Mas pessoalmente discordo. Acredito que ambos os lados tem sua parcela de culpa e participação. Para tal, é necessário um bom suporte. Então quais são as 5 dicas para reconhecer uma boa escola de aviação?

1- Um bom aeroclube/escola de aviação te permite experimentar a estrutura antes de efetivar a matrícula

Já ouviu falar em voo de incentivo não é? Pois é. Não é só ele que vai te ajudar a conhecer a estrutura. Fazer amizades com alunos daquela instituição, acompanhar todos os processos desde colocar o pé dentro do aeroclube, briefing, cheques, e quiçá até um voo de incentivo, é o ideal. Existem três tipos de aeroclube/escola de aviação:

  • Aqueles que tem uma boa estrutura, e uma excelente instrução;
  • Aqueles que tem uma estrutura mediana, e uma excelente instrução;
  • Aqueles que tem uma boa instrutura, e uma instrução duvidosa;

A diferenciação entre eles estão em pequenos detalhes, atitudes, comportamentos que refletirão diretamente no piloto que você irá se formar. Não é só voar o avião. É entender o porque está executando o checklist naquela ordem, ou porque os pneus usam tal pressão. É receber confiança para um dia poder transmitir. É manter a manutenção em dia para que no seu voo, o avião não saia de escala em cima da hora.

Um bom aeroclube / escola de aviação são formados por pessoas integradas com um propósito em comum, e conceitos bem definidos. É formado por gente, que forma gente. Tem de ter transparência, sem rodeios.

2 – Ensina o que promete dentro do prazo

Existem dois tipos de alunos:

  • Ases, aquele piloto aluno que é um top-gun;
  • Normais, com desempenho mediano, que é o esperado;

Em ambos os casos, os aeroclube tem um cronograma (que foi inclusive enviado para ANAC), onde ele firma o compromisso de ter ensinar todas as manobras do curso em um X número de horas de voo, e missões. Lógico, a instituição não deve te dar sua carteira sem que você esteja realmente preparado para tal, mas tem muita escola por ai que ama ganhar um troco nos 0.1, 0.2, 0.3 da hora de voo.. Sácomé… É o tal da hora que deveria ter durado 1.0 hora, mas durou 1.2, 1.3.. Isso na minha opinião quer dizer duas coisas:

1- O aeroclube mentiu pra você, e a instrução dele não é cumprida da maneira que ele te propôs;

2- O aeroclube atrasa os voos dos demais alunos, ou ainda pior, não gere a escala corretamente.

É uma questão de lógica.. Se uma escala tem um tempo de solo de 30 minutos, e deste você (aluno do voo anterior) pousou com 10 ou 15 minutos de atraso, então meu caro.. Ou o próximo aluno será um ás que fará todos os cheques em segundos, ou então a escala inteira será comprometida.

Sim, imprevistos acontecem.. Tais como vento, e etc.. Mas poxa, teu inva tem que saber.. ‘Cheguei mais rápido até aqui, do que cheguei ontem..? Vento de cauda.. tenho que voltar alguns minutos antes.. pra não comprometer a escala..’

3 – Tem um método que desenvolva suas habilidades

Quais são as habilidade que um piloto tem que ter? Várias, talvez inúmeras. Mas as principais dentro de uma escola de aviação / aeroclube são confiança, segurança, responsabilidade e conhecimento. Confiança em si, no seu voo. Isso, sem voo solo, não existe. E é voo solo mesmo! Não essa farça que tem por ai, de voo solo ‘assistido’.

Um piloto aluno tem que saber operar sua aeronave seguramente. Não dá pra sair, por vento, ou qualquer outro empecilho? Bixo, não sai! Isso vai mostrar que tem responsabilidade. Um aeroclube / escola de aviação que te cobra por um no-show, ou seja, marcou o voo e não apareceu, não é necessariamente um mercenário, mas está te ensinando que você tem que ter responsabilidade!

Fora isso, seu instrutor tem que indagar os conhecimentos, ou seja, o know-how. Eu já falei isso em outro post: 1A103TCM6958, não preciso consultar manual algum pra saber que este é o modelo da hélice McCauley do C152, aeronave que voei o meu piloto privado. Porque sei disso? Porque cada voo que eu não sabia disso, meu INVA me dava um ‘Satisfatório’ em Conhecimentos da Aeronave. Isso me cortava o coração.

4 – Avalia corretamente

Cara, esse é um tópico muito delicado. Porque muito aeroclube, tem instrutores jurássicos. Caras com 10 mil horas de paulistinha, 8 mil de Cherokee, 5 mil de Cessna 152. São caras, com muita experiência, mas que acabam (inevitavelmente) desenvolvendo pequenos vícios, hábitos, que apesar de parecerem bonitos, e ‘out of the box’.. não é bacana.

Culturalmente no Brasil, sair do quadrado, do escopo ensinado é bonito.. Mostra experiência né. No way bro. Isso lá fora, é visto muito negativamente. E quando falamos do assunto lá em cima, os 600 mil cabeças que serão necessários, são caras medianos, dentro da caixa, sem firulas.

Para que a instrução seja correta, o ideal seria que os INVAs fizessem uma reciclagem anual, um refreshment das manobras, ou mesmo dos conteúdos teóricos. Questione o seu aeroclube se ele investe nisso. Porque se não o fizer… Cara, tu não vai apanhar no aeroclube, mas no teu primeiro emprego.

5 – Material de Qualidade

Você já ouviu falar de um cara chamado Clóvis de Barros? Eu simplesmente amo esse cara. Conheço-o pessoalmente. Tem um vídeo dele que ele fala, ‘motivos para ler um texto difícil’, que me fez mudar minha concepção sobre a vida. O piloto ás, não é o cara que faz a aproximação no dorso, pousa com só uma roda, e ainda troca de roda na corrida da pista.. Esse é o habilidoso. O ás, top gun real é o cara que estuda, que conhece, que indaga.

Pra isso se tornar realidade, você tem que unir uma experiência prática boa, a um material de estudos bem desenvolvido, com padrões a serem seguidos e um escopo projetado com transparência, sem rodeios, pano preto e etc. Então, se teu aeroclube/escola de aviação não possui um material técnico de qualidade, ele pelo menos tem que saber te falar aonde encontrar. E quiçá te dar acesso a este.

Você já usou folheou o manual original do seu avião? Pois é…

 

Dica Extra: Fatores que não afetam a instrução (necessariamente):

  • Aeroclubes ‘low-cost’: Não é o preço da hora de voo que definirá a sua qualidade. Voar no mais caro não é garantia de qualidade;
  • INVA de 200 horas: O que diferencia um INVA de 200 horas de um de 8 mil é capacidade dele de se virar e situações que ele ainda não encontrou. Não menospreze seu INVA;

Vá dentro das possibilidades! Existem muitas ‘fancy flight schools’, com máquinas de café de 5 mil por cada sala. Mas em contra-partida, uma hora de voo que é fora da realidade nacional. Então encontre a escola que se encaixe no seu orçamento. O importante é unir um preço justo, a uma instrução de excelente qualidade.

Tem dicas extras? Deixe nos comentários!

Fly safe, folks.

 

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