Nas asas da história: a bela história dos 747 na VARIG

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Foto: Nicola Maraspini

RIO DE JANEIRO – Uma das certezas na aviação brasileira no final da década de 1970 é de que a VARIG havia se consolidado na posição de empresa aérea internacional brasileira. Essa consolidação veio pelas asas dos Boeings 707 e do McDonnell Douglas DC-10-30. Mesmo com as finanças fechando no azul, a empresa riograndense via o desgaste dos seus veteranos, além do seu consumo, que não era rentável com relação a carga útil que podia transportar.

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Em 1979, a VARIG vendeu seus Boeings 707-441, os primeiros a chegarem ao Brasil. No mesmo ano, perdeu mais uma aeronave do modelo: o sumiço do PP-VLU, que faria a rota Narita – Los Angeles – Rio. Até hoje, nada foi encontrado sobre o seu desaparecimento, alimentando ainda mais as teorias de conspiração.

Mas a mudança não era apenas em sua frota: na parte administrativa, o carioca Erik Kastrup de Carvalho havia renunciado a presidência da empresa, depois de 13 anos no cargo. Em seu lugar, assumiu Harry Schuetz, mas meses depois se afastou, também por motivos de saúde. Hélio Smidt então assumiu o comando da empresa, onde ficou por 10 anos.

Tão logo assumiu, recebeu uma proposta indecorosa por parte da Boeing:havia 2 Boeings 747-200 que estavam prontos para serem entregues imediatamente e mais um em fase de montagem. Esses aviões faziam parte de uma compra pela Lybian Arab Airlines, que fora obrigada a realizar o cancelamento dos mesmos, por ordem do Coronel Muammar El Kaddafi, como uma forma de embargo aos EUA. Smidt aceitou, e o primeiro 747 com matrícula brasileira, o PP-VNA, pousou em fevereiro de 1981, junto com o PP-VNB. Já o PP-VNC chegou por aqui em março do mesmo ano, já trazendo passageiros dos Estados Unidos. As aeronaves assumiram as rotas com maior demanda, do Rio a Paris e Frankfurt, por exemplo.

O sucesso da operação dos 747-200 levou a VARIG a encomendar dois novos 747, três anos mais tarde. Esses dois aviões eram do modelo -300C, com o deck superior ampliado. Ao contrário dos outros aviões da frota, eram conversíveis carga-passageiro e equipados com uma grande porta de carga na fuselagem traseira. O primeiro avião do tipo (PP-VNH) chegou em dezembro de 1985, o segundo (PP-VNI), fora entregue poucos dias depois. Os 747-300C aposentaram de vez os 707, que foram repassados a FAB ou vendidos a outras empresas.

Os últimos Boeing 747-300 da VARIG foram entregues quando a Boeing já oferecia um novo e revolucionário modelo do avião: o Boeing 747-400. A linha de produção do 747 nessa época atingiu um pico, e vários modelos diferentes,  -200, -300 e -400, estavam sendo produzidos ao mesmo tempo. Revolucionário, o 747-400 dispensava o engenheiro de voo, sendo necessário apenas 2 pilotos para operar a máquina, seu peso vazio era 24 toneladas do que a versão -300 do modelo, e vinha equipado com os winglets, um refinamento aerodinâmico que auxiliava a reduzir o consumo de combustível. Com 10 anos de operação do Jumbo, a VARIG adquiriu o moderno modelo. O primeiro deles (PP-VPI), chegou no final de maio de 1991, mas entrou em operação apenas em setembro. Com eles, a VARIG expandiu sua malha de rotas até Hong-Kong, Narita e Nagoya, no Japão. O apogeu da utilização dos Boeing 747 na Varig ocorreu entre maio e junho de 1993, quando onze aeronaves, de quatro modelos diferentes, operavam na frota.

Porém, o leasing dos 747-400 era caro (em torno de US$ 700 mil por mês, para cada avião). A VARIG, na intenção de reduzir custos, acabou suprimindo rotas internacionais deficitárias e devolveu várias aeronaves grandes, entre as quais os Boeing 747-400. Em 12 de agosto de 1994, o PP-VPI foi devolvido. Foi seguido pelo PP-VPG, em 20 de setembro de 1994, e, por fim, pelo PP-VPH, em 28 de dezembro do mesmo ano. Os voos antes servidos por esses aviões passaram a ser executados pelos 747-300 e pelos MD-11. Em 1996, a Varig retirou os três veteranos 747-200 da frota. O PP-VNB foi o primeiro a sair, em 05 de junho de 1996, seguido logo após, em 18 de junho, pelo PP-VNA, o primeiro 747 matriculado no Brasil. O PP-VNC foi embora em 19 de agosto do mesmo ano. Os cinco 747 remanescentes voaram até 1999, mas apenas os veteranos PP-VNH e PP-VNI receberam o novo esquema de pintura, adotado em 1996 pela empresa. Para apresentar a nova identidade, o PP-VNH  (primeiro a ser reestilizado) fez um voo a baixa altura sobre a Baía de Guanabara, ao lado da pista do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

Em 1999, a VARIG decidiu que era o fim da enorme carreira dos Jumbos em solo brasileiro: os 747-300, desativados, foram sendo substituídos pelos McDonnell Douglas MD-11. Os dois últimos aviões, PP-VNI e PP-VNH, estocados na Área Industrial da  Varig, no Rio de Janeiro, foram vendidos para a Atlas Air, em maio e agosto de 2001. A única lembrança que restou dos 747 foi o simulador do modelo, hoje já desmontado. Mas para quem viveu e voou nessas máquinas, fica a lembrança de desfrutar do incomparável rei dos céus.

Redação – Aeroagora

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