Nas asas da história: Concorde, a maravilha supersônica

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O Concorde durante a decolagem Reprodução: Alpha Coders

RIO DE JANEIRO – A aviação, com o passar dos anos, sempre apresenta ao público novas ideias, em sua maioria revolucionárias: foi o caso do De Havilland Comet, o primeiro avião comercial propulsionado por motores a jato. Se por um lado o Comet ficou famoso pelo pioneirismo, por outro, ficou manchado por tragédias: inúmeros acidentes devido a falhas estruturais do projeto faziam com que o material tivesse uma fadiga excessiva, problema resolvido apenas em sua última versão (Comet 4).

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Porém, ao final da década de 1950, as agências americanas, francesa, inglesa e soviética começaram a elaborar um projeto de uma aeronave supersônica de passageiros. Cada um dos países possuíam um projeto do tipo, mas as agências francesa e inglesa se unificaram e levaram o plano adiante. Os soviéticos seguiram sozinhos, e elaboraram o Tupolev Tu-144, apelidado no ocidente de Concordski.

O concorde foi produzido na fábrica da BAC, na Inglaterra, e na Aerospatiale, na França. O protótipo francês (001) foi iniciado em abril de 1965 em Tolouse e finalizado em dezembro de 1967. Após mais de 1 ano de incansáveis testes em solo, finalmente o primeiro Concorde ganha os céus, no dia 2 de março de 1969. O segundo protótipo (002) foi construído em Filton, e decolou a primeira vez em outubro de 1969. A aeronave já havia acumulado inúmeros pedidos de grandes companhias, como American Airlines, PanAm, Japan Airlines, Air France e British Airways. Entretanto, devido a crise do petróleo, as dificuldades financeiras, a queda do concorrente Tu-144, e as políticas de ruído e poluição, apenas as aéreas francesa e inglesa mantiveram o pedido (e foram as únicas a operar o modelo).

As aeronaves passaram a ser entregues e iniciaram rotas para inúmeros destinos, entre eles o Rio de Janeiro. Existe um vídeo que mostra a cobertura da chegada dessa maravilha aeronáutica em solo brasileiro e você pode conferir aqui. A experiência de voar no Concorde era para poucos, mas era única: com ele, era possível sair de Londres ao por do sol, e chegar a Nova York ainda pela manhã, quase uma “volta ao tempo”. Turbulência era algo raro para tripulantes do supersônico, já que voava a quase 60 mil pés de altitude.

Foto: Eduard Marmet

A operação durou 24 anos sem acidentes, até o fatídico dia 25 de julho de 2000: Um Concorde da Air France que cumpriria a rota Paris-Nova York sofreu seu primeiro e único acidente fatal do modelo. Uma peça que se soltou de um DC-10 da Continental Airlines ficou na pista, tendo o Concorde atingido a mesma, rasgando os pneus do trem de pouso principal. Pedaços dde borracha atingiram o tanque n° 5 da asa da aeronave, provocando um incêndio. Após uma sequência de falhas, o aparelho não ganhou altitude e caiu em um hotel em Gonesse, vitimando todos os passageiros e tripulantes e passageiros do  Concorde, além de 4 pessoas do hotel.

Após esse trágico episódio, todas as aeronaves do modelo passaram por modificações e voltaram após 15 meses para operações normais, no entanto, um acordo entre as duas companhias encerrou as atividades do supersônico em 2003: a Air France em maio, e a British Airwyas, em outubro. Apenas 20 aeronaves foram construídas, e a sua maioria estão expostas em aeroportos ou em museus. Uma homenagem digna para aquele que um dia foi sinônimo de pioneirismo e inovação.

RWY

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