Mudança de cenário econômico engessa aviação executiva; entenda

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SÃO PAULO – Quando você perguntar a um piloto qual foi o melhor momento da aviação brasileira, ele deverá citar dois em especial: Varig e 2011-2013. O cenário “variguiano” despensa comentário, mas o executivo já precisa ser discutido devido sua complexidade. A falta de infraestrutura aeroportuária, incluindo aeroportos, helipontos, heliportos, principalmente nas capitais São Paulo e Rio de Janeiro, era incrível. Um controle especial para helicópteros foi criado para atender a demanda de um céu congestionado. A frota de jatos executivos não parava de crescer.

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Chegamos a 2014, e nossa subida com pitch vertical rumo a uma economia forte, nos causou um verdadeiro stall de badalo. Retração econômica, financiamento restritos do BNDES para investimento em geral, mas também o enrijecimento nas regras da Receita para compra e leasing de aeronaves fizeram com que o cenário mudasse do vinho para água, salubre. A situação aeroportuária que era inadequada, se tornou suficiente para atender uma demanda em queda.

De acordo com os dados da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), o crescimento de 0,4% na frota de asa rotativas de 2015 em comparação com 2014; de 3,6% de aviões turbohélice e queda de 2,7% na frota de jatos, mostra retração e engessamento de uma aviação que chegou a crescer 14% anos antes. Alguns fatores contribuíram para tal; entenda:

Aeroportos 

Grandes aeroportos como o Internacional de Guarulhos (GRU), Viracopos (VCP) e Rio-Galeão (GIG) foram concedidos a iniciativa privada, o que mudou uma série de taxas, infraestrutura, e incentivou o passageiro a escolher tais destinos (ou partidas). Mas o mesmo não aconteceu com a aviação executiva, já que a malha aeroportuária destinada à atende-la evoluiu pouco nos últimos anos, restringindo-se em suma a reformas já previstas, ou em investimentos privados.

Em São Paulo, há 26 aeroportos destinados a operação da aviação executiva, todos administrados pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (DAESP), com exceção do Campo de Marte, que é INFRAERO. Há expectativa é da condução de um processo de licitação para cinco dos aeroportos, que deve sair este ano.

Crescimento do PIB

A demanda de passageiros é a sina de qualquer executor da aviação. Nos últimos anos, o que motiva o passageiro a viajar tem se alterado consideravelmente. O típico executivo no saguão dos aeroportos, tem sido aos poucos substituído pelo passageiro comum, que em 2011-13 teve sua primeira viagem de avião, decidiu sair de suas três ou quatro viagens anuais de ônibus, restringindo-se a uma ou duas de avião.

De maneira geral, entende-se que a aviação geral cresce duas vezes mais rápido que o PIB, enquanto na aviação executiva a velocidade chega a quatro vezes mais rápido. No entanto, 2014 o PIB cresceu 0,1%, 2015 caiu 3,8% e 2016 devemos fechar em uma queda mediana de 0,5%.

Liquidação Aeronáutica

Uma forte consequência é transformação de um país comprador em um verdadeiro queima estoque, quando se trata de aeronaves executivas. O mercado de jatos executivos brasileiros foi restringido devido uma série de novas tributações e restrições. A Receita Federal restringiu o uso do leasing operacional, que é a modalidade de compra que não tem a finalidade de compra do bem ao término do contrato, a empresas de táxi-aéreo.

A modalidade envolve uma série de exigências com relação a obrigatoriedade de operação e manutenção. No entanto trás como principal vantagem, devolver o bem à arrendadora caso as coisas deem mal. Muitas empresas usufruíram deste recurso, e devolveram suas aeronaves ao exterior. Logo, uma empresa com diversas sedes, não pode usar do benefício, ficando atado aos preços do taxi aéreo.

O que esperar para 2017

De maneira geral, o que já temos. No quarto bimestre muitas coisas tem acontecido no país, que vão desde acidentes que comoveram o mundo, há políticas matreiras. Tudo isto gera um cenário de completa incerteza e falta de credibilidade nacional. O Brasil está em liquidação, e o mundo sabe disto. No entanto o país é um título acionário de altíssimo risco, já que os poderes estão em constante guerra e não se sabe bem qual a moral do país.

Esperança

O compartilhamento de aeronaves tem sido a grande promessa em dias difíceis como os atuais. Além disso, empresas especializadas com o transporte compartilhado, trouxeram opções atrativas a quem busca uma alternativa de voos fretados de baixo custo.

RWY
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Bacharel em Aviação Civil pela Universidade Anhembi Morumbi, e piloto privado pelo EJ. Completamente louco por aeronaves executivas, hambúrguer, rock 'n roll e jazz.

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