Inspeção Pré-Voo: erros e falhas mais comuns

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Inspeção de responsabilidade do piloto, e como o próprio nome já diz deve ser realizada antes do voo. Esta inspeção consiste em o piloto examinar as diversas partes da aeronave de acordo com uma lista de verificações (check list) fornecida pelo fabricante da aeronave. Até mesmo antes da nossa primeira missão do curso prático somos treinados e orientados por nossos instrutores sobre a importância de realizarmos uma inspeção pré-voo minuciosa.

Quando nós pilotos nos reunimos para contar historias seja em um hangar, um churrasco não e difícil escutar relatos de que em algum momento de nossas vidas de aviador tenhamos nos deparados com algumas das situações mencionadas  logo abaixo.

Alguma vez você já teve de taxiar de volta para o pátio para lidar com um problema o qual você tinha descoberto durante o período de inspeção externa ?

Você alguma vez experimentou um momento embaraçoso na corrida de decolagem ?

Alguma vez você já ficou um tanto quanto apreensivo pela fato de ter perdido alguma coisa durante o seu pré-voo?

Portanto  nunca acione o motor de uma aeronave sem ter certeza de que você realizou uma inspeção pré-voo de maneira minuciosa e que tudo esta no seu exato lugar. Muitos dos problemas encontrados em voos poderiam ser facilmente evitados com uma simples inspeção externa realizada de forma adequada use sempre sua lista de verificações.

Uma inspeção pré-voo realizada de forma inadequada poderá acarretar em implicações muito serias para a realização de um voo seguro e eficiente podendo levar o mesmo a um acidente.

Enquanto qualquer falha em uma inspeção pré voo é algo que não deveria ser permitido, os problemas mais embaraçosos têm dominado os mais comuns normalmente confessados.

Claro que o que você não conhece também pode ser prejudicial e geralmente nós não sabemos que esquecemos algo até que ele se manifeste, frequentemente com grandes implicações à segurança. Então, não é necessário se perguntar por que a FAA, NTSB e o Serviço de Reporte da Aviação Civil da NASA (Aviation Service Reporting Service) e demais entidade da aviação mundial  continuam investindo em esforços para reduzir esses acidentes mais previsíveis.

Em uma apresentação sobre o que considera as dez maiores causas de acidente, a FAA percebeu cinco áreas nas quais infere-se razoavelmente que inspeções pré voo incompletas contribuíram para o evento, no entanto não de maneira com que seja apontada como a provável causa.

Por exemplo, como número dez a FAA lista encontros com wind shear e tempestades. Sugerimos que a velha ansiedade por chegar logo ao destino seja um fator contribuinte nesses acidentes, assim como indicações que pilotos tenham falhado em obter ou interpretar informações meteorológicas antes da decolagem, um elemento integral na preparação pré voo completa. Claro que o ASRS inclui reportes de pilotos descrevendo problemas por causa de uma inspeção incompleta ou deficiente. o problema principal repetidamente tem origem em uma falta de foco e distrações sem relação com o trabalho de voo do piloto.

Erros Aparentemente Inofensivos

Muitos pilotos pelo mundo morreram por considerar os erros mais comuns tão benignos que questionaram o valor que tal erro teria para a segurança em seu voo. Outros não tiveram a mesma sorte. E se convencer que as aparências de erros benignos não são tão ruins quanto parecem não é o objetivo. O objetivo é não perder absolutamente nada.

Considere a facilidade com a qual nós seres humanos nos esquecemos, negligenciamos ou deixamos de agir sobre problemas nessas cinco áreas e o quanto isso pode ser embaraçoso quando temos uma plateia:

1 – Calços não removidos: Em uma pesquisa realizada em vários aeroportos destinados a aviação geral dos EUA o número de pilotos que confessou já ter feito isso chegou a 60%. O risco aqui é baixo – Dano ao trem raramente acontece. Ao invés disso, perdemos tempos cortando o motor, removendo os calços, sem contar na vergonha de ter que fazer isso em um dia cheio de pessoas nos olhando ou com passageiros a bordo.

2 – Amarras: Em contrapartida aos calços temos o esquecimento de remover as amarras. Nesse cenário, a corda amarrando a cauda ganhou das outras amarrando as asas; O maior risco aqui seria um dano ao trem de pouso ou a aeronave girando em torno de uma asa quando se aplicasse potência no(s) Motor(es). Outro risco seria o dano em um dos anéis utilizados para amarração e a área ao seu redor. Em casos mais extremos, aeronaves chegaram a arrancar a âncora utilizada no solo para fixar a aeronave e seguiram caminho.

3 – Portas de Inspeções: As portas de inspeções não travadas estão em um alta posição na escala da vergonha, junto com calços e amarras. Mas esse erro aparentemente “benigno” pode se tornar mortal após decolagem. Se notar uma porta de inspeção batendo ou ligeiramente pairando deixando uma leve abertura você está exatamente onde deveria, em solo. Em voo partes soltas que possam estar nesses compartimentos podem deixar a aeronave; pedaços de lâminas de metal ou estruturas de compostos não se misturam muito bem com a fuselagem, empenagem, bordo de ataque das asas, hélices ou para brisas. Em aeronaves multimotoras perder uma parte destas portas em voo pode torna a pilotagem um verdadeiro desafio. Resultados fatais já ocorreram.

4 – Pneus: Uma falha no pneu está em cima do muro entre totalmente benigna e potencialmente perigosa. E eles podem estourar se os pilotos ignorarem sua condição. Talvez a falha mais comum de pneus de aeronaves da aviação geral envolva a falta de pressão, permitindo o pneu  girar ao redor do cubo roda e separar a haste da válvula de pressão. Pneus com pressão acima do permitido podem estourar pelo impacto de um pouso brusco ou com o aumento da temperatura devido ao acúmulo de calor durante a decolagem.  Qualquer furo no pneu durante a decolagem ou pouso e você  lutara para manter o avião na pista. Isso aumenta o risco de perda de reta, independente de como o pneu tenha furado ou até mesmo estourado.

5 – Porta entreaberta: Nossos instrutores nos treinaram muito para que soubéssemos como lidar com uma porta que se abre em voo. Enquanto alguns designs parecem favorecer o problema, na maioria dos casos essa abertura acontece por uma falha do piloto em se assegurar que a porta esteja fechada e travada corretamente. Essa é outra falha que, por todo o impacto que uma porta entreaberta pode oferecer a performance, e algo simples de resolver e que não deveria apresentar muitos problemas. Mesmo assim acidentes e fatalidades associados a esse problema ocorrem, normalmente por que o piloto perde o foco em voar a aeronave enquanto trabalha para fechar a porta. Normalmente a solução para isso está em pousar a aeronave para fechar a porta corretamente. Sempre lembre-se da tarefa número um: Voar a aeronave.

As Cinco Falhas Mais Perigosas

Agora que já falamos sobre erros benignos da inspeção pré voo, vamos explorar seus “primos não tão benignos assim”. Esses normalmente aparecem apenas após decolagem e sempre tem uma probabilidade maior de contribuir com um acidente ou pelo menos um incidente.

1 – Falta de Combustível: Reportes de acidente e incidente estão cheios de menções a pilotos utilizando todo seu combustível e se surpreendendo com o silêncio prematuro do motor. São várias explicações:

“Olhei os tanques e achei que tinham combustível suficiente…” (O local do acidente não mostrava evidências de um vazamento de combustível após o pouso forçado.) “Eu fiz a inspeção pré voo antes de pedir o combustível e quando voltei eles disseram que haviam enchido os tanques totalmente. ”

Se você falhar em checar os tanques, não há maneira de ter certeza. Apenas você pode prever uma falta de combustível.

919003_9435e7026aab44e39b37c538bd11fc59-mv2_d_4752_3168_s_4_22 – Tampas do tanque de Combustível abertas:  As vezes a aeronave recebe todo o combustível solicitado e o piloto confirma o abastecimento total e ainda sim o combustível acaba prematuramente.

Reportes de acidentes incluem casos em que o piloto inadvertidamente afrouxou uma ou ambas as tampas do tanque enquanto apoiava suas mãos para checar se as tampas estavam corretamente colocadas. Pilotos de aeronaves de asa baixa têm uma ligeira vantagem já que é possível perceber o combustível vazando pelas aberturas das tampas o que é bom, já que essa falha atinge tanto aeronaves de asas altas quanto as de asas baixas. Use uma escada para as aeronaves de asa alta e adicione uma lanterna para inspeção tanto em aeronaves de asa alta quanto de asa baixa.

3 – Capas de Pitot: Para o piloto de aeronaves de asa alta, deixar de notar o aviso vermelho de “REMOVE BEFORE FLIGHT” é um pouco mais difícil que para piloto de asa baixa. Em nenhum dos casos essa falha deveria acabar em metal retorcido. Mas muitas vezes acontece.Com o lado da pressão total de seu tubo de pitot bloqueado, você poderá perceber o ponteiro do velocímetro mudar levemente a indicação – se isso sequer acontecer – graças ao vácuo produzido pelo ar fluindo ao redor da entrada estática. Pânico e distração aumentam o potencial para dano. Uma maneira de identificar o problema em solo é além de encontra-lo na inspeção pré voo é certificar-se que o velocímetro comece a indicar uma marcação logo no início da corrida de decolagem. De qualquer maneira potência mais atitude é igual a performance: Um ajuste de potência específico e atitude de voo produzem a mesma velocidade e razão de descida ou subida, todas as vezes. Use ajustes apropriados de potência e atitude para pousar em segurança.

4 – Vareta de Óleo: Sempre checamos o óleo e adicionamos um pouco quando necessário, mas nem sempre colocamos de volta a vareta ou tampa. Tão insignificante quanto possa parecer, isso pode fazer com que escorra todo o óleo para fora do motor. Riscos comuns incluem para-brisas e janelas obstruídas por óleo e fogo no motor.

5 – Pré voos casuais:  Agir de forma muito casual em nossas inspeções pré voo podem acabar em diversos erros estúpidos. Não preciso checar o óleo, pois ele acabou de ser trocado e o motor e os controles foram bem checados no voo pós manutenção. Então não há problema em pular todos os itens menos os mais importantes, pneus bem calibrados, controles livres – e se omitir de dar uma olhada interna no motor?

Fatos: Pequenos pássaros podem construir um ninho em horas. Um fogo no compartimento do motor é uma enorme emergência e logo depois que você decolar com um ninho na entrada do motor. Lembra da chave de fenda que o mecânico comentou ter perdido? Está balançando dentro da fuselagem da aeronave, a ponto de ficar travada entre cabos e polias de comando. Enquanto isso, aranhas podem obstruir tubos de pitot com suas teias ou zangões podem obstruir a ventilação do tanque de combustível.

 Use sua lista de verificações (Checklist)

A melhor maneira de ter certeza que você cumpriu todos os itens necessários pelo fabricante e itens adicionais é o padrão comprovado através dos tempos da aviação: O checklist. Enquanto muitas versões comerciais servem como ponto de partida, é provável que mudanças na aeronave tenham trazido novos itens; use a lista comercial ou de fábrica para desenvolver uma lista extensa de itens a checar. Montando essa lista em cima de procedimentos de fábrica, você pode incluir itens que foram melhorados após sua fabricação. Por exemplo, a lista de verificações(checklist) para uma aeronave fabricada em 1980 cobria todas as necessidades da para operação da mesma. Mas não cobria cheques para um sistema de vácuo, alarme audível e visual instalado para o trem de pouso ou um sistema de alerta de voltagem, instalados anos depois.

Ninguém gosta de decolar até escutar uma voz em nossa cabeça se perguntando se algo foi checado. Se isso acontecer, pouse – com segurança, mas rápido – e ponha um fim e suas dúvidas, faça seu checklist.

CASOS

Poor preflight leads to crash

FALTA DE COMBUSTIVEL

Poor preflight inspection for pilot

CAPA DO PITOT

http://www2.anac.gov.br/segVoo/pdf/PT-PTB.pdf

http://www.ntsb.gov/_layouts/ntsb.aviation/brief2.aspx?ev_id=20130825X91338&ntsbno=ERA13FA372&akey=1

http://www.ntsb.gov/investigations/AccidentReports/Reports/AAR1503.pdf

FONTES

http://www.faa.gov/

https://www.aopa.org/training-and-safety/air-safety-institute/safety-spotlights

http://www.flyingmag.com/safety/accident-investigations/inadequate-preflight

https://www.aopa.org/training-and-safety/air-safety-institute/accident-analysis/featured-accidents/epilot-asf-accident-reports-preflight

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RWY
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Bacharel em Aviação Civil pela Universidade Anhembi Morumbi, e piloto privado pelo EJ. Completamente louco por aeronaves executivas, hambúrguer, rock 'n roll e jazz.

2 COMENTÁRIOS

  1. Erros simples, mas que levam à acidentes, os quais poderiam ter sido evitados com a simples leitura do checklist. Ótimo texto, esmiúça bastante e da exemplos das probabilidades de acidentes/incidentes relacionados ao mau ou não cumprimento do checklist. Acredito que faltou também falar do excesso de confiança por voar a máquina a bastante tempo e achar que irá se lembrar do checklist, mas pode ocorrer um esquecimento repentino, é muito mais fácil evitar uma fatalidade, com o simples fato da leitura do checklist. Parabéns ao autor.

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